Das Diferenças entre Religião e Ideologia

Fonte: https://livroseumcappuccino.files.wordpress.com/2016/05/wp-14623320123451.jpg (Acesso em 18/07/17)

Venho, por meio deste texto, fazer uma breve diferenciação entre o pensamento religioso e suas consequências no pensamento humano, bem como fazer uma comparação deste com os movimentos ideológicos atuais.

Em primeiro lugar, que fique bem claro que não sou nenhum intelectual nem filósofo, apenas vou falar algo com base na realidade tal qual a vejo, uma vez que, sendo católico, vejo muita oposição por parte das pessoas de minha idade, pessoas estas muitas vezes altamente ideologizadas.

Primeiro, vejamos como se dá o pensamento religioso. Entenda-se aqui o pensamento cristão , mais precisamente o pensamento Católico Apostólico Romano (uma vez que esta é a fé que eu professo).

O primeiro fator determinante de nossa fé — fator este que é veementemente criticado — é a submissão à Igreja de Roma, ou seja, ao Santo Papa e ao magistério de Igreja. Esta parte da nossa fé vem sendo fortemente criticada nos meios ateístas e anti religiosos atualmente, quanto pelas igrejas protestantes desde a época da ‘reforma’ . Quem nunca ouviu que não seguimos a Bíblia, que somos idólatras, entre outras acusações…

Pois bem: Dessa submissão à Santa Igreja e seus ensinamentos deriva todo nosso pensamento sobre a fé: rasgamos o coração ao ouvir as Sagradas Escrituras e ao ler sobre a vida e obra dos Santos, nos humilhamos perante a Deus, sabemos que somos miseráveis e que não somos nada aqui, pedindo sempre para que Nosso Senhor tenha misericórdia de nós e nos salve no fim de tudo. Basicamente, nos submetemos à Deus de toda alma e todo coração.

Dito isso, muitos criticam nossa fé e o modo que vivemos nossas vidas: nada de métodos anticoncepcionais? Evitar ir em locais onde muitos consideram normais, mas são antros de prostituição e drogas? Dedicar uma hora por semana para assistir a missa? Ler livros e livros sobre a nossa fé, dedicar nosso tempo à Deus, etc etc etc. Tudo isso é criticado pelos irreligiosos como algo desnecessário, extremo e retrógrado. Porém, a maior critica feita por esses grupos é a seguinte: a de que submetemos as nossas vontades às vontades de Deus e da sua esposa, a Santa Igreja.

Bem, para estes eu digo uma coisa: é verdade, nos diminuímos quando colocamos Deus no centro de nossas vidas. Nossas opiniões não importam mais e se temos alguma divergência com a Igreja, tratamos de corrigir nossas ações para estarmos de acordo com sua santa doutrina.

O fato é que muitos encaram isso como uma forma de automutilação, de doutrinação e de emburrecimento. O curioso é que os críticos da fé católica não são tão diferentes de nós, e pior: diria que são até piores.

Primeiro, temos que deixar algo bem claro: não existe posição religiosa neutra. Mesmo uma posição que presa pela laicidade acaba por colocar a religião como mero fruto da escolha e da preferência, e não como fruto da busca pela Verdade.

Segundo, vamos definir os “inimigos” da religião: estão aqui os ideólogos, sejam eles marxistas, liberais, conservadores, feministas, veganos, ateístas(considero o ateísmo uma ideologia, posso falar sobre isso noutro texto), entre outros. Ou seja, pessoas que colocam um conjunto de ideias como a linha-base de suas vidas, de forma que estas acabam por guiá-los.

Por último, vejamos a consequência de se aderir a uma ideologia: pense num comunista, num liberal, numa feminista e num ateísta. O que todos eles têm em comum? Simples: aquela ilusão de superioridade, de que participam de algo maior do que eles, de que precisam convencer outras pessoas de suas idéias, para fazê-las aderir a sua causa, a seus ideais. Raramente se vê alguém que acredita de forma séria nessas ideologias que não seja paranoico com suas crenças. Sim, são crenças, não adianta negar.

Atrelado a isso se tem a falsa noção de liberdade, o pensamento de que se conseguiu sair da matrix, dessa massa sem cérebro que é a maioria da população, e de que se está observando tudo de cima, do alto de seu pedestal. Sendo assim,não se é necessário seguir nenhum código de moral ou boa conduta, pois se está além dos meros mortais — além do bem e do mal, como diria o “filósofo”. Disso, se conclui que qualquer meio necessário deve ser utilizado para se chegar ao objetivo. Disso derivaram todos os regimes assassinos do século XX.

Por que é que estas ideologias acabam por tornar as pessoas assim? Simples: porque elas são imperfeitas, falta nelas um ponto-chave que as coloque na direção certa: a busca pela Verdade. Só a real busca pela Verdade pode tornar alguém melhor, alguém que busque deixar o mundo um local menos miserável dentro de sua possibilidade, sem esquecer daqueles que estão próximos a se importam com ele. Alguém que busca bem-tratar os animais, mas que não esqueça da dignidade da vida humana. Por fim, alguém que entenda que suas ideias e suas filosofias têm que ser válidas sobretudo para si mesmo, e que a mudança começa de forma interior.

Amigos, não se enganem: quando se tira Deus do centro de suas vidas, sempre se coloca algo no meio: a avareza que faz com que se preocupe mais com o dinheiro guardado do que como gastá-lo de forma eficiente; a adoração moderna aos animais que praticamente os equipara à crianças humanas; o sexo de toda e qualquer forma, rodeada pelos mais bizarros fetiches; e o pior de tudo, a crença de que o ser humano por si só pode resolver os problemas no mundo.

As ideologias não são nada mais do que isso: a crença de que a ação humana irá resolver os problemas do mundo e fazer aqui um paraíso terrestre. Que aqui se dará o Éden, e que todos os problemas econômicos e sociais serão um dia resolvidos, que a igualdade perfeita é possível. Porém, estes não atentam para um fato visível: o mundo é e sempre será defeituoso, e nossa missão aqui é apenas torná-lo um pouco menos miserável para nós e para aqueles ao nosso redor.

Conclui-se, portanto, que as ideologias acabam levando somente à ruína, e que não há salvação do mundo onde não há busca da Verdade. Espero que este texto tenha esclarecido algumas coisas à respeito da situação de nosso mundo, e peço desculpas se fiz alguma análise imperfeita: certamente algum filósofo de calibre já dissertou muito mais minuciosamente sobre isso. Sou apenas um leitor e amante da filosofia, e os mais atentos perceberão os autores que me influenciaram enquanto escrevi este breve texto.

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