O amante.

O amante.

Ele era perfeito. Perfeito mesmo, isso ja devia ser uma indicação de perigo. Mas não foi.

Me achou numa rede social, veio atras de mim ate eu ceder. Bonito, charmoso, culto e bem educado, alto com um belo corpo, uns cílios que deveriam ser ilegais nos olhos de um homem. Jovem também, pele perfeita, lábios que pediam para serem beijados

Que mais? pele macia, um sorriso adorável, cabelos encaracolados e macios. Seu nome? David, João, Pedro, Carlos… Você escolhe.

É claro que fiquei com medo, é claro que fui cautelosa, mas ele soube se aproximar vencendo uma a uma as barreiras de uma mulher que ja tinha sido muito ferida no amor tem.

Mas os sinais estavam lá. Todos eles. Me contou que seus relacionamentos duravam sempre três meses e que, por um motivo ou outro, sempre acabavam, deixando ele muito triste. Era um livro aberto, sincero e doce. Eu devia ter parado para fazer umas contas, sobre a idade dele e os namoros dele. Mas não fiz. Quando a gente está interessada, acha explicações e desculpas para tudo. Ele que não era bem compreendido, por ser meio geek/nerd, as outras é que eram erradas, eu como nerdinha assumida, geek de carteirinha , claro que era certa para ele, claro que iria durar muito. E namoramos.

Uma delícia. Eu podia contar tudo para ele que ele entendia, aceitava, era um amante entusiasmado, não ligava para uma barriga que deveria estar menor, ou uma banha que não deveria mesmo estar ali. Me aceitava como ninguém tinha me aceitado antes com toda a minha imaginação delirante e personagens que viviam dentro de mim. Jurava lealdade e adoração completa por mim.

Nos brincávamos com as datas, cada mês que passava , eu dizia. Mais um mês e tudo bem ate agora. Ate que chegou o terceiro mês.

Aí eu , que nunca pegava nada, fiquei doente. Tão doente que pedi para ele não vir em casa , pois podia se contaminar também. Fiquei praticamente três semanas separada dele pois num dos fins de semana ele teria que viajar e nas duas outras eu estava doente. Ele falava comigo todos os dias sempre atencioso e amoroso.

Quando sarei finalmente e ele me encontrou e começou a contar que tinha conhecido outra. Que ela tinha dado em cima dele, que ele ficou lisongeado, ja estava saindo com ela e que estava a fim dela agora. Todo o tempo que ele falava ele me olhou intensamente nos olhos como se esperando alguma coisa.

Enquanto eu gaguejava , horrorizada que ele me amava, que ele me adorava, que ninguém deixa de gostar assim de repente, que ele era leal. Que… O dar de ombros de suprema indiferença, me interrompeu, como se ja tivesse ouvido as mesmas palavras muitas vezes antes , como se parte de um ritual, sempre me olhando intensamente , esperando , esperando.

A dor surgiu transbordando , o horror, a rejeição, a destruição de uma coisa infinitamente preciosa que tinha crescido em três simples meses, a vontade de gritar, de machucar quem me matava, e… Então eu vi. Eu vi ele inalar deliciado, como se sentisse o bouquet de um vinho raro, eu vi ele abrir levemente os lábios. para provar delicadamente o…ar??

Não o ar . A. dor que saia de mim em ondas, irradiando como um sol negro. Ele bebia como o néctar dos deuses, em êxtase, enquanto seu rosto se transformava, perdia o brilho, a doçura do olhar, o frescor da pele, o brilho dos cabelos , a textura da pele, tudo que fazia ele especial para mim, até se tornar um estranho com um sorriso torcido de prazer

Sob o meu olhar incrédulo e assustado, ele me olhou pela ultima vez. e foi embora atras da sua próxima presa.

Hoje eu sei que ele, como um vampiro viciado, ainda se deleita, cada vez que uma lembrança aflora dolorida, cada vez que eu choro a noite, cada vez que eu pergunto, porque?

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