ALGUMAS COISAS FAZEM MAIS SENTIDO COM O TEMPO
Desde que me entendo por gente e me lembro das coisas, eu sempre achei um equívoco dos meus pais terem me gerado tão cedo, até porque sei que não foi planejado. Quando eu nasci o pai tinha 20 anos e a mãe 16. Dois anos depois nasceu meu irmão. Formar uma família quando eram tão jovens e, consequentemente, aumentar a responsabilidade de sustentar um lar certamente diminuiu as pequenas chances que eles tinham de estudar e ter profissões mais promissoras no futuro. Independente disso, nunca nos faltou nada e com apoio dos demais familiares fomos muito bem criados.
Foi quase 20 anos depois que as coisas começaram a fazer mais sentido. Uma doença no coração se manifestou em 2007 e levou o pai em 2010, quando ele tinha apenas 41 anos. Quando eu entrei na faculdade nunca ia imaginar que na minha formatura meu pai não estaria lá, mas infelizmente aconteceu. Nos deixou tão cedo. Mesmo assim, viveu o suficiente para acompanhar nossa infância e adolescência, ver eu e o Maninho crescer, estudar e nos tornar praticamente adultos. Algo que não teria acontecido se tivesse sido pai só mais tarde.
Não sei dizer se foi Deus, o destino ou o acaso quem quis assim, fica a critério da fé de cada um. Com o tempo, a precocidade da formação da nossa família fez mais sentido pra mim. Que bom que pudemos viver mais juntos, ainda que poderia ter sido um período maior. Eu sempre prefiro ver o lado positivo. Hoje já faz seis anos que o pai se foi tão cedo, mas viveu o suficiente para ficar pra sempre em nossas lembranças.