Steel

Goldstein
Goldstein
Sep 4, 2018 · 3 min read

A luz era fraca e totalmente azulada, era um quarto pequeno, uma cama bagunçada com um lençol fino, quadros tortos e um espelho enorme localizado bem na minha frente. Estava amarrado em uma cadeira de madeira e com um estofamento macio. Podia me ver completamente nu em meio a luz azul, desorientado, confuso… Animado.

Ouvi a porta abrir e uma figura aparecer atras de mim, ela se aproximava devagar… Com a luz, apenas uma silhueta fina eu vislumbrava, meu coração acelerava a cada passo. Até que senti aquelas mãos macias tocarem o meu ombro, ela tinha unhas pontiagudas e sua pele estava tão fria. Sentia calafrios enquanto sua mão viajava ao redor de minha carne, suas unhas afiadas tocavam a pele do meu rosto, ela passava as mãos entre os fios do meu cabelo tão suavemente como carinho materno… Até que os segurou com muita força, puxando minha cabeça para trás, me deixando face a face com aquele demônio. Batom negro, pele branca, cabelo escuro, olhar contente e um sorriso perverso… Deus me perdoe, mas o diabo parecia tão apetitoso aquele dia.

Ela contornou a cadeira e se posicionou a minha frente, passava os dedos pelo meu corpo, eu tinha leves tremores, aquilo cortava como uma lamina, cortava toda a minha inocência e enchia minhas veias de desejo… Queria destroçar aquela carne branca com meus próprios dentes, eu abria leves sorrisos e ria… Ela também ria, mas a cada risada, outro risco vermelho era feito em meu peito e eu ficava mais e mais impaciente, mais e mais furioso… Mais e mais feliz.

Depois de rabiscar meu corpo, ela se sentou no meu colo, como um jovem amor… Inocente e puro, acariciava meu rosto mais uma vez, até que enrolou sua mão em meu pescoço e o levantou, me deu quatro ou cinco beijos, sentia o batom negro colado em minha pele. Me sentia como um escravo, que comia as migalhas daqueles beijos, que abria a boca pedindo mais água e como ela era uma boa senhora, atendia meu pedido, só para me ver pedir mais.

Ela finalmente abriu suas pernas e sentou sobre as minhas, ela mordia meus lábios, mordia meu pescoço, arranhava minhas costas até gotas de sangue preencherem aquelas unhas imundas de tinta negra… Eu não dizia nada mas meu lobo interno adorava toda aquela violência, eu pedia mais e ela sentia toda vez que tocava minha pele, sentia o sangue escorrendo dentro das minhas veias, sentia o calor tomando conta de mim como fogo, até que… Ela simplesmente parou, com um gemido e um suspiro leve, encostou seu peito ao meu, me abraçou e… Parecia uma jovem criança novamente.

Amarrado eu estava, também a abracei, misteriosamente… sentia suas escapulas, sua costela totalmente arranhada, via sua pele toda roxa, aquilo era uma obra prima da ultra violência. Ela levantou sua cabeça, segurou em meu rosto, olhou fixamente em meus olhos… Não ouvi mais nada, vi ela mexendo seus lábios… “Eu te amo” talvez? Sangue escorria pela sua boca como uma leve cachoeira, olhei em meu peito, onde o sangue caia, um enorme buraco e uma lamina cruzava nossos corações… Eu tentava falar mais não conseguia, eu engasgava com o sangue cada vez mais, ela continuava a olhar fixamente para mim e a repetir a mesma coisa.

O prazer tomava conta de mim enquanto eu sentia o aço brilhante se tornar vermelho como a paixão, eu engasgava e cuspia sangue, ela me segurava com tanta força que suas unhas furavam o meu rosto… Eu revirava meus olhos enquanto a agonia tomava conta de mim… Era um horror delicioso.

Acordamos no outro dia abraçados na banheira, foi uma noite e tanto.

Goldstein

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Goldstein

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