West 3

O touro mecânico rasgava os trilhos, meu cavalo ofegante, cavalgava como nunca para alcançar o tal monstro de ferro. Um dos meus alvos estava ali dentro com dezenas de capangas (provavelmente, armados até os dentes). Meu coração já acelerava e o lobo dentro de mim começava a ficar impaciente.

Logo me aproximava do primeiro vagão, saquei uma dinamite e logo acendi… O touro ia pegar fogo. Saquei o colt, atirei em uma das janelas e arremessei a dinamite com maestria, logo percebi uma movimentação dentro do trem (aparentemente, todos ficaram em pânico com o barulho do tiro) e dois porcos colocaram seus focinhos para fora das janelas, aproveitei que o revolver estava em minhas mãos e logo meti dois tiros certeiros bem no meio daquelas caras gordas.

Depois de ter levado dois porquinhos, o resto dos capangas começaram a atirar para cima de mim, nesse meio tempo a dinamite explodiu e o trem fez uma para brusca (que de fato, impediu que eu fosse atingido por algum tiro). Aproveitei a chance e me aproximei de uma das janelas, pulei do cavalo, me agarrei e em um movimento ligeiro, adentrei na janela caindo e me escondendo nos acentos.

Os tiros começaram a pipocar, havia tecido e fumaça para todo lado, eu me escondia pensando no que havia me metido. Permaneci sem ação por alguns segundos, olhava estaticamente para o chão com o revolver na mão. Logo um pico de adrenalina subiu pelas minhas entranhas, um largo sorriso se abriu em meu rosto e logo pensei: “Hoje verei sangue jorrar como nunca e até mesmo a morte ira se ajoelhar e beijar meus pés”.

Me levantei num movimento rápido, saquei o outro revolver e sem pensar descarreguei os tambores naqueles malditos porcos cegos. Um tiro raspou meu ombro, rasgando o casaco e minha pele, porém, o lobo já tinha tomado conta de minha pessoa e minha fraqueza humana tinha sido esmagada… Em meio a todo aquele tiroteio, minha alma se completava, eu havia me tornado o caçador da morte e nem Deus poderia me parar ali.

Fui correndo de vagão a vagão, atirando em cada coisa que se mexia dentro daquele trem, o sangue escorria pela minha bota, jorrava pelas paredes vermelhas, sujava os pratos de prata e alimentava a fera dentro de mim. Finalmente cheguei no vagão esperado, lá estava o vagabundo que eu estava procurando, parado na frente de sua mulher e filho… Como se fosse um verdadeiro homem de família… pobre esposa e filho, que mal sabem o que o velho imundo havia feito.

Ele segurava um revolver, com a mão toda tremula e com o medo estampado no rosto enrugado. O sorriso em minha face era de ponta a ponta, era como nos famosos duelos do Oeste… saquei o Colt e com maestria abri um buraco no meio do peito daquele porco, sua guarda baixou, segurei seu revolver com uma das minhas mãos e lhe dei um soco no queixo, o velho desmontou no chão como se fosse um pedaço de madeira. Queria ver aquele desgraçado pagar pelo que fez ao meu amor… e não iria pagar com a vida dele.

Empurrei sua esposa contra a parede e grudei o filho pelos cabelos castanhos. Sacudia o garoto com o revolver em sua cabeça “Lembra-se de mim? Lembra daquela maldita noite chuvosa que você e seus outros dez amigos entraram lá? É agora que o demônio veio cobrar seus pecados! ”. O garoto chorava sem entender nada, o porco implorava para que não fizesse nada com o menino… O lobo gritava dentro de meu peito… joguei o moleque no chão e atirei… atirei sem pensar duas vezes.

O vestido branco ficou todo manchado de vermelho e o porco cuspia sangue. Sai do maldito trem com a besta saciada, meu cavalo me esperava impaciente do lado de fora… montei, olhei para o touro ali parado… eu via as almas subindo aos céus, gritando por socorro, gritando “Deus tenha piedade de nós pecadores, Deus nos livre desse demônio negro… Deus nos livre do pistoleiro negro”

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