É hora de aceitar que você não sabe nada de economia
Daniel Coutinho
7924

Sua resposta é ótima, mas tão rasa em alguns momentos quanto o texto original. Eu sei que o texto escrito pelo Gustavo carece de quaisquer dados para ser embasado (parece conversa de TED Talks), mas não pode ser descartado de forma tão superficial assim por levantar problemas com a ordem econômica atual — problemas que você próprio admitiu existirem.

1 — A miríade de desejos humanos não é páreo para as limitações de um mundo que não é o Jardim Do Éden

Sim, os desejos são infinitos, mas em diversos sentidos são artificialmente criados. A criação e alimentação desses desejos por corporações envolve, obviamente, aumento de lucros. Não há nada de errado com isso, mas de fato em algum momento os recursos começam a se esgotar e de forma desnecessária. Conceito como obsolescência programada (famoso na existência do Cartel Phoebus) hoje são praticamente padrão na indústria, principalmente a tecnológica.

Os componentes físicos são ótimos em celulares, mas o software logo se torna velho e uma parcela de usuários é excluída do uso de um produto que comprou. Melhorar um produto não é errado, mas planejar antecipadamente uma forma de torná-lo ultrapassado me parece pouco justificável, principalmente dentro do argumento do “desejo infinito”.

Padrões similares podem ser aplicados facilmente à indústria automobilística, o que também gera desgaste de recursos e poluição.

2 — A Economia não existe. Não é um ser vivo. O homem criou a economia. Nós mesmos criamos um monstro que nos amedronta e controla nossas vidas

A frase é burra em termos, mas esconde uma verdade (que talvez o autor desconheça): o Mercado Financeiro. A economia é uma ferramenta, uma ciência que envolve análise de produção e distribuição de bens (sejam serviços, bens físicos ou informação). Embora todo o planeta esteja enriquecendo nos últimos anos, uma parcela está enriquecendo absurdamente mais. E parte disso envolve sucessivas crises, onde ocorrem trocas monumentais de dinheiro. Recentemente, todas essas jogadas são protagonizadas pelo chamado Mercado Financeiro.

Ignorar completamente os malefícios da atuação do Mercado Financeiro (principalmente nos EUA pós-Era Reagan) é burrice. Talvez (apenas talvez) seja isso que o Gustavo quisesse dizer no texto dele: a atuação de bancos, seguradoras, empresas de classificação de risco, bolsas de valores (etc), aliado à regras frouxas que permitem a venda dos chamados “papéis podres”, além de seguros em hipotecas e empréstimos que claramente não seriam pagos, geram crises onde quem perde não é quem erra.

De fato, analisar crises anteriores (principalmente a de 29) mostra como a última grande crise econômica foi protagonizada pelo Mercado Financeiro http://www.economist.com/news/essays/21600451-finance-not-merely-prone-crises-it-shaped-them-five-historical-crises-show-how-aspects-today-s-fina

De resto no seu texto, concordo ou considero sua interpretação válida.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.