Meu nome é Wallace Tarenta

Fato 1: Vivemos em uma sociedade capitalista.

Fato 2: Estamos perdendo a essência da humanidade.

A nossa evolução nos trouxe diversos confortos e facilidades que, de fato, me agradam muito. Somos agraciados com uma tecnologia que evolui com tanta velocidade que descrever as funções de um smartfone hoje para alguém que viveu durante os últimos dez anos em uma caverna, causaria-lhe verdadeiro espanto.

Certo, entendemos que somos privilegiados pela nossa própria evolução. E daí?

Bom, daí que essa evolução/tecnologia, aliada às premissas do capitalismo nos transformaram em zumbis. Máquinas com coração, que funcionam única e exclusivamente para atingirem seus objetivos de consumo.

Nascemos e logo somos presenteados com dezenas de mimos que não precisamos. Nossos pais, na intenção de demonstrar todo o amor que sentem por nós, gastam o que tem e o que não tem para que vivamos uma infância repleta de brinquedos, produtos e serviços supérfluos. O próprio conceito de amor foi corrompido e o tamanho do nosso amor é calculado pela quantidade de COISAS que podemos dar pra quem a gente ama.

A questão vai ainda mais fundo, e é onde eu quero chegar. Como desde que nascemos somos apresentados a esta lógica errônea de consumismo, somos condicionados ao mesmo tempo, a querer um emprego que nos dê dinheiro. PONTO. Vendemos toda a nossa vida em troca da capacidade financeira de comprar coisas. Ninguém se importa se você gosta ou não de engenharia. Se este é o curso que vai te dar dinheiro no futuro e você tem o mínimo de aptidão com números, é isto que você vai estudar PARA O RESTO DA VIDA.

Nada contra engenharia, desde que os profissionais da área sejam completamente apaixonados pelo que fazem! Somos seres humanos, pessoal! Nascemos para fazer o que gostamos, e para sermos muito bons no que fazemos, não porque sacrificamos toda a nossa vida estudando e enfiando na cabeça os conceitos de uma profissão, mas porque escolhemos, em paz com a nossa consciência, INVESTIR grande parte do nosso tempo PRATICANDO algo que gostamos e que nos dá PRAZER.

Me recuso — e pago um alto preço por isso — a aceitar vender minha vida, meu tempo, para o consumo. Me recuso a admitir, em troca de alguns trocados e uma vida cansativa, estressante e cancerígena, que minha vida seja reduzida a uma sala de escritório, quando meu coração, meus instintos e minha própria existência implora para que eu crie, viaje, conheça, transforme e ensine.

Meu nome é Wallace Tarenta, sou criador de conteúdo e tenho um canal no Youtube, mas que ainda estou preso num destino que não é meu. Sou estudante de Direito, mas nem quero tanto glamour assim. Fazer o que eu gosto em troca de alguns trocados me enche mais os olhos do que me martirizar em uma profissão “generosa” financeiramente.

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