Porque nossa geração está em colapso?

Há tempos, de tempos em tempos, fico em um estado de reflexão sobre tudo. Primeiro, penso a curto prazo. Penso nas escolhas recentes que fiz e nas possíveis, prováveis e eminentes consequências destas escolhas. Até aí tudo bem, visto que aos 23 anos de idade, é mais que normal passar por crises existenciais e questionar, por exemplo, se é realmente produtivo gastar meu tempo escrevendo um artigo em uma rede social na qual que tenho menos de 10 seguidores, sendo que estou desempregado e com contas vencendo. Enfim, questões normais do dia a dia.

O problema começa quando passo a me aprofundar nestas reflexões e acabo nadando num perigoso oceano de possibilidades depressivas. Vale alertar que eu sou o que eu chamo de suicida psicológico. Explico: Suicida psicológico é o cara que ao se deparar com a mínima possibilidade de entrar numa bad, mergulha de cabeça. Prazer, eu.

E o caso é grave, já que essas reflexões extrapolam a minha individualidade e eu começo a me sentir “responsável” (é essa a palavra?) pelos males da sociedade moderna.

Não é raro eu me sentir extremamente frustrado com o fracasso dos outros.

A angústia do momento é a falta de razoabilidade coletiva das pessoas… Atualmente não existem meios termos. É todo mundo querendo provar seu ponto, agarrando argumentos com unhas e dentes e se negando a ponderar sobre a possibilidade — que normalmente consideram improvável — de estarem equivocados em algum ponto de sua ideologia soberana.

Se você é liberal (economicamente falando), um socialista é um demônio irracional e irrelevante que não faria diferença nenhuma na sociedade se não existisse. Tudo o que você diz é o que o planeta precisa. Você é o salvador do universo, o senhor das boas decisões, o arauto da moral e dos bons costumes e o baluarte da austeridade e da estabilidade e crescimento econômico do país.

Se, por outro lado, você é um ativista de alguma pauta social — e sim, estou com medo de dar exemplos de pautas sociais e ser atacado como defensor do patriarcado racista-nazista-fascista-homofóbico-desmatador-gordofóbico-cristofóbico-heterofóbico-machista — eu não preciso nem discordar de você. Basta que eu pontue algum excesso do seu argumento para que toda a minha existência seja inválida e eu seja taxado e rotulado como agressor impiedoso de algum grupo ou minoria.

Antes de tudo, é bom ressaltar que não faço parte e nem simpatizo com esse grupo de anencéfalos que bradam aos quatro ventos que “o mundo anda muito chato” ou que “o politicamente correto está estragando o mundo”. Penso que eu não tenho a possibilidade de dizer que alguém está sendo chato quando reclama de racismo, homofobia ou desrespeito contra mulheres simplesmente porque não estou na pele dessas pessoas para sentir o que elas sentem.

Não sou negro, por isso não cabe a mim dizer que é palhaçada e exagero quando vejo negros comemorando a venda de um boneco de super herói negro, com uma imagem de uma criança segurando o boneco e se sentindo representada, finalmente, nos seus brinquedos. Eu não sei o que é não me enxergar no meu boneco do Max Steel.

Mas confesso que muitas vezes me sinto afogado com toda essa discussão rolando na web. Não por achar chato o debate. Nunca. Mas por achar absurdo a necessidade do debate quando claramente a gente só precisa de bom senso pra saber quando as nossas atitudes vão ofender as pessoas…

Não sei se ainda estou sendo claro, porque sempre que começo a escrever, vou me perdendo aos poucos do assunto e acabo falando sobre algo completamente diferente do que comecei. Então é melhor finalizar por aqui.