Aos olhos do mundo, a visão do infante
O leva a repousar sobre o couro do divã
A luz das ideias sob a sombra do gigante
Que não tarda a dar o parecer: delirante
E a lamparina se apaga à sombra do titã
As ideias que enfim vislumbraram alvorecer
Foram jogadas tal qual cão vil neste lugar
Onde coisa alguma foi feita para permanecer
O inocente homem novo aprende a entender
Que nada neste mundo foi feito para ficar
O novo homem que aqui é chegado sou eu
Arfando o molesto ar que faz-me absorto
Avisto meu reflexo no escudo de Perseu
Projetado numa poça como torpe camafeu
No pétreo átrio deste edifício morto
À borda do abismo mais íngreme e profundo
Tentei aventurar-me à guia de raio de luz
Mas a amplidão da umbra tornou-me iracundo
Pois fui maculado tal qual cão vil e imundo
Por rótulo a que minha existência se reduz
Me quedo a contemplar este reflexo torvo
Um maltrapilho das ideias, agora exausto
Títere do mestre que se toma em um sorvo
A lira de Orfeu no crocitar de um corvo
Não mais me apraz após tão reles hausto
A bruma agora pousou seu véu de lividez
Novamente me pego contando passos a esmo
Até então, quanta diferença isto fez?
As folhas de outono caíram outra vez
Mas todos os dias tornaram-se o mesmo
Sangue novo chegou ao solo dos derradeiros
Mas sua vinda não evoca celeuma ou clangor
Seu alvo séquito são os nobres cavalheiros
Que cismam em portar-se como conselheiros
Embora seus esforços não nos salvem da dor
Bem vindo, amigo, ao bastião das feras
Contempla a penha mais abrupta do inferno
O flamejar de tuas ideias aqui são meras
Fagulhas do ermo fogo a que tu ponderas
No limiar em meio ao temporal e o eterno
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