O Papel do Diabo

The Angel Binding Satan, by Philip James de Loutherbourg, circa 1797

“Shatan é uma criatura cuja função é a de nos testar, de nos tentar para nos fazer mais fortes ou simplesmente para permitir que tomemos consciência do nosso grau de fé e confiança em Deus”.

“Sem os demônios e as ciladas que eles colocam no nosso caminho nós não conseguiríamos progredir, diziam os antigos Padres do Deserto”

(Relatos de um Peregrino Russo, por Anônimo do Século XIX)

O cristianismo nos ensina que estamos vivos nesse mundo para passar por um teste que Deus nos aplicou. O que é esse teste? Para quem gosta de jogos, pode ficar contente de saber que esse tem regras bem misteriosas, divertidas, desafiadoras, inteligentes e interessantíssimas.

Faz parte do jogo que as regras não estejam completamente claras desde o início. É como o Mestre dos Fantoches que se esconde por trás da cortina. Você não sabe que é um jogo, é simplesmente atirado nele. Parece real, como um Jogo de Realidade Alternativa (ARG).

Uma das partes mais divertidas do jogo é que Deus se esconde. Ele não deixa sua existência completamente clara de propósito e dá algumas pistas pelo mundo. Ao longo da vida, nosso papel é desvendar essas pistas. Existe o livro da natureza, por exemplo, e muitos livros sagrados por aí. Todo mundo já ouviu falar nesse “Deus” lendário. Eis uma das pistas.

Porém, mesmo que você não desvende a existência de Deus, você ainda pode ganhar o jogo se descobrir que o objetivo da vida é fazer o bem. Sim, mas o fim da jornada não é a moralidade por si mesma. Por que fazer o bem? Para chegar a Deus, que é o Bem, o Amor em si. E para chegar a Ele, deve tirar tudo de si que não é amor, para ficar o mais semelhante a Ele possível e conseguir se aproximar do fogo divino.

Essa parte é um pouco difícil, mas você não precisa ser um doutor em teologia ou um especialista nas regras do jogo. Sabê-las ajuda muito, mas é bem mais importante ser um bom jogador do que um professor de regras. Afinal, não adianta muito para o professor conhecer as regras se ele não as aplica em sua vida. Muito mais do que palavras, um exemplo de vida, a palavra que se faz carne, é o que nos inspira. Por isso Jesus nos inspirou tanto.

Deus testou os primeiros seres humanos, Adão e Eva. E eles falharam no teste. Porém, Deus é bom e misericordioso. Ele deu uma segunda chance a eles e permitiu que as próximas gerações prosperassem. Deus perdoa e sabe tirar o bem do mal. Após a queda, o ser humano conheceu a morte do corpo. Porém, seu espírito continuava imortal. E é a ele que devemos salvar.

Ao comer da Árvore do Conhecimento, Adão e Eva passaram a confundir bem e mal. Isso não é bom, pois como tornar-se puro amor se não conhecemos o bem plenamente? Assim como estavam não podiam comer da Árvore da Vida. Mas Deus não queria que eles fossem privados de algo tão bom e fez o seguinte: cada pessoa pode comer da Árvore da Vida contanto que passe em um teste.

E que teste é esse? Uma parte do teste tem um esconde-esconde. Deus se escondeu e você precisa encontrá-lo. E tem mais: você precisa encontrar o mundo espiritual escondido: os anjos e os demônios que interferem no mundo da matéria. Nós não os notamos facilmente porque estão na dimensão de kairos, o tempo espiritual, enquanto nós habitamos kronos. Mas nós também temos um kairos e por isso somos capazes de contatar esses seres.

The Temptation of Christ by the Devil, Félix Joseph Barrias, 1860

Deus viu toda a história da humanidade do início ao fim, então por que ele não impediu a queda de Adão? Para respeitar seu livre-arbítrio, pois se não houvesse a escolha de fazer o mal e fôssemos obrigados a fazer o bem, seríamos meros fantoches de Deus.

Além do mais, no cristianismo existe o conceito da “feliz culpa”. Graças à queda de Adão, Jesus Cristo veio a esse mundo. Se não tivéssemos caído, é possível que Jesus não tivesse se tornado um homem. Portanto, como costuma fazer, a partir de um mal Deus fez um bem.

Mas por que Deus escolheu virar um ser humano e não um anjo? É nesse ponto que entramos na célebre história da queda dos anjos e da rebelião.

Nós, seres humanos, possuímos livre-arbítrio, mas e os anjos? Eles também, pois são seres com vontade própria, separados de Deus. E por que Deus quis criar seres diferentes dele, se ele já era perfeito? Por amor. Pelo mesmo motivo que as pessoas decidem ter filhos. Um casal não precisa de um filho para sobreviver, mas, pelo grande amor que sente, decide trazer mais um ser a esse mundo, para desfrutar de suas lições e sua beleza.

Para dar liberdade ao ser humano, Deus criou o teste do Éden. Mas e para dar liberdade aos anjos, o que Deus fez?

A tradição cristã nos conta que após a criação dos anjos Deus não mostrou sua existência claramente a eles, assim como faz conosco. Os anjos só podiam ver Deus por uma espécie de nuvem, ou neblina. Isso é um modo figurado de falar, mas é como se houvesse uma espécie de barreira ou impedimento que não deixasse tudo às claras.

Ainda assim, os anjos eram extremamente inteligentes. Diferente de como somos hoje, os anjos entendiam com clareza o que era o bem e o mal. Por isso, uma escolha por parte dos anjos de optar pelo mal era muito mais grave.

Além disso, por estarem em kairos, os anjos só tinham uma chance de passar no teste de Deus. A escolha deles seria definitiva.

No caso dos seres humanos, que estão em kronos, eles possuem a duração de toda uma vida humana para optar por Deus e renunciar ao diabo. Eles possuem mais tempo para compensar o fato de sua inteligência ser inferior a dos anjos e eles não terem acesso mais direto à existência de Deus.

Segundo a tradição que conhecemos, um terço dos anjos optou por seguir Lúcifer, que se rebelou. Nesse texto, eu falo mais sobre a questão de os anjos estarem “acima” dos seres humanos na hierarquia. Como é possível ler no texto, se um ser humano vira santo ele se torna equivalente a um anjo em nível espiritual e entendimento, embora não em natureza (ele continua sendo humano, não se torna anjo). E nesse texto eu explico melhor sobre a história dos três anjos mencionados na Bíblia e também sobre a queda dos anjos.

Très Riches Heures du duc de Berry, Limbourg brothers, between 1411 and 1416

Deus mostrou aos anjos a seguinte visão: Jesus encarnaria como um ser humano e Maria um dia estaria acima de todos os anjos. O Alcorão conta algo parecido: Deus manda que os anjos se ajoelhem diante de Adão, mas Lúcifer se nega. Por orgulho, ele cai.

Para os anjos, o julgamento já aconteceu. Para os seres humanos, um primeiro julgamento ocorre no momento da morte e um segundo no dia do Juízo Final.

Vamos supor que você morra e caia no purgatório. Se seus parentes ou amigos continuarem orando por você e se você fizer penitências suficientes, ainda poderá subir ao céu no segundo julgamento.

Mas para os anjos já é o fim? O que aconteceu após a rebelião de Lúcifer?

Aos anjos que o obedeceram, Deus se mostrou completamente. Agora, com perfeito entendimento do amor, tornaram-se incapazes de fazer o mal. Eles optaram pelo bem livremente e não podem cair mais.

E quanto aos anjos caídos? Bem, Deus ainda tinha mais um papel para eles, pois Deus sempre consegue tirar o bem do mal.

A tradição católica nos conta que Deus ofereceu uma chance de reconciliação a Lúcifer, mas ele a rejeitou. O que fazer se uma criatura te odeia e rejeita seu amor? Você não pode obrigá-lo a te amar, ou iria ferir seu livre-arbítrio.

Os anjos caídos, ou demônios, se tornaram invejosos dos anjos que venceram a provação e estavam sempre na presença de Deus, mas quanto a esses não podiam fazer mais nada, pois já tinham passado na prova. Também estavam com inveja dos seres humanos e esses ainda podiam atacar, para tentar fazê-los cair.

E por que Deus permite que os demônios tentem os seres humanos? Por dois motivos principais: Deus respeita a liberdade dos demônios, então não os impede. O outro motivo é que a tentação dos demônios pode nos amadurecer espiritualmente. Sempre que vencemos uma tentação, nos tornamos mais fortes.

Os três inimigos clássicos do cristianismo são: o diabo, o mundo e a carne. Existem tentações no mundo material ao nosso redor (como desejar muito dinheiro, fama e poder) e também os desejos próprios da nossa carne, como fome, sede, sono, cansaço e prazer sexual (todos eles são desejos naturais e bons, mas se nos tornamos escravos dos desejos do corpo podemos esquecer do espírito, que é nossa meta). Porém, pode ser que o mais difícil de superar dos três sejam as tentações dos demônios.

Por quê? Porque nós vemos e entendemos as tentações do mundo. Nós compreendemos os desejos de nossa carne. Mas não enxergamos os demônios. E não acreditar neles é exatamente o que os demônios querem, pois assim podem nos enganar mais facilmente.

Quando somos submetidos a uma tentação, nem sempre é fácil precisar sua origem. Às vezes pode ser uma simples fraqueza da carne mesmo, ou uma tentação do mundo. Pessoas que são muito tentadas por essas duas coisas geralmente são deixadas em paz pelos demônios. Afinal, isso já dá conta de nos deter.

Porém, quando conseguimos lidar com alguns desejos do mundo e da carne, os demônios ficam alertas e começam a nos atacar. Por isso costuma-se dizer que os demônios atacam bastante em mosteiros. O “demônio do meio-dia”, por exemplo (que também aparece no salmo 91:6, um dos salmos mais belos), é comum de surgir em mosteiros. É quando o monge fita a janela de sua cela e fica entediado, se perguntando se tudo aquilo é inútil, sem vontade de seguir mais um dia de rotina, um dia após o outro.

Essa é a famosa “acedia”, em latim, um estado de indiferença ou torpor, que pode levar ao vazio e à depressão. Ela é combatida com a disciplina: orar quando é a hora, mesmo que estejamos sem vontade de orar. Seguir o calendário sempre, por obediência, sem se deixar enganar pelos argumentos sutis do demônio, que te incita a relaxar sua disciplina. Falo mais sobre isso nesse meu texto, sobre secura espiritual e noite escura.

The Torment of Saint Anthony (Michelangelo) 1487–1488

E o que pode ajudar a afastar os demônios? Em primeiro lugar, orar. Pedir humildemente a ajuda de Deus, de Jesus, de Maria, dos anjos e santos. Ter a humildade de admitir nossa fraqueza, de confessar que sozinhos não conseguimos lidar com eles.

Os demônios são muito inteligentes e podem nos enganar com facilidade. Por isso, é dito pela tradição cristã que não se pode dar conversa a eles. É preciso combatê-los de forma decisiva. Nada de “mas eles não são tão maus assim, mas até que o argumento faz sentido”. Deixe que Deus resolva isso. Se os demônios não são tão maus e se os argumentos são bons, Deus não será enganado por eles, mas você pode ser.

Até o Diabo pode citar as Escrituras e distorcê-las, como nas tentações de Jesus no deserto. Você conhece a Bíblia? Que bom, mas o Diabo também conhece. Além de conhecer a Palavra é preciso vivê-la.

“Entretanto, alguém poderá afirmar: ‘Tu tens fé, e eu tenho as obras; mostra-me tua fé sem obras, e eu te demonstrarei minha fé mediante as obras que realizo’. Crês, tu, na existência de um só Deus? Fazes bem! Até mesmo os demônios creem e tremem!”

(Tiago 2:18–19)

Outra forma de afastar os demônios é através das penitências, principalmente do jejum, como na ocasião em que Cristo jejuou na solidão do deserto. As penitências tornam as orações mais poderosas. Elas mostram ao demônio que você está sério. Não dar comida ao corpo simboliza a morte por inanição. É como se você o desafiasse com seu próprio corpo, dizendo: “Prefiro morrer de fome do que me submeter”.

Estamos vivos para participar do teste de Deus, que envolve um combate espiritual, uma luta entre anjos e demônios. Você não pode fugir do combate. De fato, na ordem semi-eremítica em que costumo fazer retiros, toda segunda-feira é o dia do deserto: o dia da solidão completa ou o dia em que convidamos o demônio para se aproximar e “lutar o bom combate”, como diz a Bíblia. E sexta-feira é o dia clássico de jejum, também um excelente convite para a luta.

Pode parecer paradoxal, mas você convida o demônio a vir, pois através da solidão e silêncio de um mosteiro, isso simboliza a solidão do deserto. É colocar a si mesmo propositalmente em estado de secura espiritual para ser tentado. Esse é o treino para o combate, para você se preparar a vencer quando os combates da vida real acontecerem.

Em Abramelin, isso simboliza a etapa de goécia da operação: depois que chamou o anjo, com sua proteção e em estado de jejum, é hora de convidar os demônios a se submeterem. É similar como fazem os monges e os célebres Padres do Deserto, famosos principalmente no cristianismo oriental e ortodoxo. Eles retiram as consolações para confiar completamente em Deus. Esse trecho do Evangelho prova isso:

“Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo”

(Mateus 4:1)

O Espírito Santo levou Jesus ao deserto especificamente para que ele fosse tentado pelo diabo. Convidar o diabo para tentá-lo era uma parte fundamental da jornada, uma iniciação. Jesus tinha acabado de ser batizado por João Batista. Em seguida, ele quis ser tentado pelo diabo e para convidá-lo dois requisitos foram atendidos: solidão e jejum. Após vencer as tentações:

“Então o diabo o deixou, e anjos vieram e o serviram”

(Mateus 4:11)

Só depois dessa etapa necessária da tentação do diabo que Jesus iniciou sua vida de pregações. Apenas depois disso sua iniciação se completou e ele estava preparado para sofrer e morrer pelas mãos dos humanos. Afinal, se ele venceu o demônio, não seria tão difícil vencer os homens. Porém:

“E assim, tendo concluído todo o tipo de tentação, o Diabo afastou-se dele até o tempo oportuno”

(Lucas 4:13)

Ele ainda voltaria mais tarde, conforme a Bíblia nos descreve. E ele só volta porque Deus permite. Porque uma última tentação seria necessária.

Christ in the Desert, Ivan Kramskoi, 1872

Existem muitos debates teológicos a respeito da questão dos demônios. Alguns teólogos protestantes afirmam que “o inferno existe, mas está vazio”, pois Deus não mandaria ninguém para o inferno, pois ele é bom. E eles também dizem coisas como: “no Juízo Final, Deus vai perdoar a todos, até os maus, os demônios, ninguém vai experimentar a morte final e ser condenado para sempre porque Deus é bom”, etc.

Os teólogos católicos não aceitam esse tipo de argumentos por várias razões. Dentre as principais, eu apontaria algumas. Primeiro, o inferno não é um lugar, mas um estado de espírito. Não é preciso morrer para confirmar a existência do inferno. Nós “caímos” nele o tempo todo quando estamos imensamente tristes, sentimos vazio ou caímos em desespero.

Ou melhor, esse não é o inferno de verdade, mas um gosto do inferno. O inferno mesmo de que fala a Bíblia é muito pior que isso que sentimos.

Em segundo lugar, o que vai acontecer com os demônios depois não é da nossa conta. Isso é uma mera curiosidade. O Apocalipse nos dá algumas indicações, mas muitas em forma de símbolo. Porém, Deus é misericordioso e justo e sabe o que faz. Não cabe ao ser humano entender isso completamente, pois a inteligência de um anjo ou demônio e o grau em que ele enxerga Deus é diferente do nosso.

Deus quer salvar a todos, mas nem todos querem ser salvos. Ele não pode obrigar ninguém a amar.

Em terceiro lugar, a ideia de alguém ficar no inferno “para sempre” nos angustia devido a uma incompreensão da divisão que existe entre kronos e kairos. Quando pensamos em “para sempre” pensamos no tempo cronológico de nosso mundo, kronos. Mas kairos está fora do tempo do relógio. O tempo espiritual não possui correspondente em kronos. Não é a mesma coisa.

Em quarto lugar, o que um ser humano faria se Deus lhe revelasse que vai salvar a todos no final? Ele pensaria: “Ah, então nem vou me esforçar”. Isso se chama consciência laxa, ou preguiçosa. Esse é um pensamento completamente errado. Você deve pensar: “só tenho essa vida, só tenho essa chance, posso morrer a qualquer momento, preciso cuidar da minha vida moral e espiritual o quanto antes!”. Então é melhor mesmo que Deus esconda o que vai fazer depois. Isso não é da nossa conta, pois o que realmente nos compete é cuidar da salvação de nossa alma com a máxima urgência. Aqui e agora, não depois. Muito menos na “próxima vida”, independente de haver uma ou não. Isso não interessa. É a menor de nossas preocupações.

Em quinto lugar, há vários trechos dos Evangelhos em que Jesus confirma a existência do inferno e nos alerta em relação a ele com muita seriedade. Então, independente do que o inferno seja, só precisamos entender uma coisa: evite-o a todo custo. Você sabe o que fazer para isso.

Job and His Friends, Ilya Repin 1869

A história do livro de Jó é interessante. Goethe se baseou nele para escrever Fausto. Nesse livro, Deus e o diabo fazem uma aposta. Deus permite que o demônio tente Jó para ver se ele manterá a fidelidade a Deus mesmo em meio ao sofrimento. Eu falo mais disso nesse texto.

Muita gente decide que não vai acreditar em Deus porque acha que um Deus completamente bom não condenaria Lúcifer e nenhum ser humano ao inferno, mas perdoaria a todos. Primeiro é preciso entender o que é o inferno. Depois é preciso entender que Deus não joga ninguém no inferno, mas cada um joga a si mesmo, negando o amor de Deus.

E por que, uma vez no inferno, ninguém pode sair de lá? Porque eles são completamente privados da visão de Deus, por vontade própria. Porque odeiam Deus e o amor. Os anjos veem Deus face a face e por isso para eles é impossível fazer o mal. Os seres humanos possuem apenas pistas da existência de Deus, mas são capazes de descobrir Deus pela razão e pelo amor. Por isso são capazes do bem e do mal. Uma vez que se é privado completamente da luz do amor, não há mais nada o que ver.

Por isso o único pecado do cristianismo que não tem perdão é não se arrepender. Afinal, se não pedimos perdão, como podemos ser perdoados?

Deus, ao permitir que os demônios nos tentem, até nos ajuda: nos faz cair, para resgatarmos a humildade e pedir ajuda. E dá liberdade aos demônios também. Até o Juízo Final. Nesse dia o que ocorrerá não sabemos ao certo. Haverá um julgamento justo e bom. E finalmente, veremos Deus face a face.

Para evitar cair no inferno, não é preciso ser tão forte. É preciso, acima de tudo, humildade: acreditar em Deus, reconhecer os pecados, se arrepender, pedir perdão, tentar melhorar, fazer o bem. Mesmo de forma desajeitada.

Afinal, como diz Santo Agostinho, é melhor ser coxo no caminho do que um bom corredor fora dele. Você pode até ser o príncipe dos demônios, extremamente poderoso e forte, mas é melhor desejar ser a mais fraca das pessoas que chegou ao céu do que o príncipe do inferno.

“O homem é um ser a quem falta o Ser”

“‘O inferno sou eu’ se não nos amamos; ‘o inferno são os outros’ se eu não os amo; o inferno sou eu, é você, é o mundo, é Deus ou o diabo, é tudo aquilo que não amo. O inferno é não amar”

(Jean-Yves Leloup)