O Tao e o Caos

Em seus primeiros livros, Peter Carroll nos informa que o termo “Caos” foi escolhido em vez de “Deus”, “Tao” ou qualquer outro para desvinculá-lo de conotações diretamente religiosas.

Esse é um insight interessante, pois Carroll, além de magista, é um cientista. Suponho que a maior parte dos caoístas não se incomodaram com a “Teoria do Caos” que ficaria em voga logo a seguir. Isso porque explicações científicas costumam ser levadas em alta conta na época em que vivemos. Jaq D Hawkins e outros magistas explicam a teoria do caos em seus livros, como um paradigma que adiciona força à escolha do nome original dessa escola de magia moderna.

Em seu mais recente livro “My Years of Magical Thinking” Lionel Snell questiona o fato de valorizarmos hoje mais a ciência que as outras culturas da arte, magia e religião. Sendo que na magia do caos devemos nos lembrar sempre que “nenhum sistema de crença é melhor que outro” e os diferentes paradigmas apresentam apenas vantagens e desvantagens, e não um tipo de superioridade sobre outro, como numa hierarquia.

E isso nos leva de volta ao Tao. O Ying-yang é uma dualidade de forças opostas que se complementam. A luz não é melhor que escuridão e o Sol não é superior à Lua.

No livro “Principia Discordia” há o símbolo do Sagrado Cao, que é parecido com um Ying-yang, mas com um pentágono e uma maçã dourada em vez do círculo branco e negro. Porém, esse símbolo não representa um equilíbrio ou harmonia. Como símbolo do Caos e de Éris, ele também contém desequilíbrio e desordem, mas ele não é apenas isso. A maçã representa a desordem de Éris e o pentágono a ordem de Anéris. Mas o símbolo pode também conter tudo, nada, ou qualquer coisa!

Pode-se pensar a princípio que o Caos representa uma ideia panteísta que busca a totalidade, parecido com ideias taoístas. Pode ser que o Caos contenha isso, mas ele não é apenas isso. O panteísmo e a busca da totalidade é apenas um dos paradigmas possíveis. O Ying-yang flui numa aparente harmonia dos opostos, mas o Caos aponta para todas as direções, às vezes indo para toda parte e outras vezes para lugar nenhum.

Segundo o Principia, tanto ordem quanto desordem foram conceitos criados por seres humanos e são divisões artificiais do Caos Puro. Algo sempre bom para que os caoístas lembrem, antes de tentar provar que o “Caos” é a Verdade e a ordem uma mentira. Valorizemos os diferentes paradigmas!

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