Seleção Natural e Magia

De acordo com Thomas Kuhn em “A Estrutura das Revoluções Científicas”: “ A verificação [de teorias científicas] é como a seleção natural: escolhe a mais viável entre as alternativas existentes em uma situação histórica determinada”. Karl Popper diz algo parecido em “A Lógica da Pesquisa Científica”: “Nós escolhemos a teoria que melhor se mantenha em competição com outras teorias; aquela que, por seleção natural, se mostra a mais adaptada a sobreviver”.

Segundo esses autores, as teorias científicas que chegam a nós são escolhidas em detrimento de outras, em parte, por questões de utilidade. Isso é muito parecido com o que a magia do caos nos diz a respeito de paradigmas de magia. Eles não são “a verdade” e nem estão mais certos que outros. Eles apenas funcionam. E nós escolhemos adotar um paradigma em vez de outro por inúmeros motivos: questões emocionais, lógicas, humor do momento, etc. As teorias científicas também são escolhidas dessa forma e nunca existe uma escolha realmente objetiva, já que o ser humano é incapaz de chegar a uma objetividade plena, distanciando-se completamente de sua questão de estudo.

Peter Carroll nos traz questões parecidas em seu livro “Epoch”. Por que as teorias da magia chegaram a nós dessa forma, com grande influência neoplatônica, judaico-cristã e pagã? Não porque são mais certas ou melhores que magia indiana, chinesa, brasileira, nórdica ou qualquer outra. Simplesmente porque, “por seleção natural” foram essas que sobreviveram devido a circunstâncias históricas, culturais, etc. Podíamos ter sistemas de tarot, cabala e astrologia completamente diferentes. Por isso, nas cartas que acompanham o livro, Matt Kaybryn incluiu alguns Deuses de panteões esquecidos.

Mas o que o termo “seleção natural” realmente significa para nós? Tanto Lamarck quanto Darwin tinham coisas interessantes a nos dizer e Lamarck não estava completamente errado. O paradigma que ele criou ainda nos diz muita coisa.

Lionel Snell menciona que uma vez foi assistir a uma palestra de Richard Dawkins e alguém na plateia perguntou o que ele achava de Deepak Chopra. Dawkins apenas mencionou que Chopra vendia mais livros que ele. Então Snell nos traz a seguinte reflexão: por seleção natural, pode ser que os livros de Chopra sobrevivam no futuro e os do Dawkins não. Isso porque quem sobrevive não é necessariamente o “melhor” ou a teoria que contém a verdade, mas a mais “apta” a sobreviver no meio de um monte de outras teorias devido a uma série de fatores.

Na magia não é diferente. Você não precisa encontrar o paradigma melhor ou mais certo para trabalhar. A força da magia do caos é ser capaz de se mover entre diferentes paradigmas, compará-los, aprender com cada um. Quando a ciência aprender com a magia e com a arte e também se inspirar nesse pensamento, evitará adotar uma teoria em detrimento de outra como verdade absoluta, já que cada teoria pode contribuir em algo como interpretação da realidade. Afinal, nós só podemos captar o mundo como uma interpretação.

Outra questão interessante levantada por Snell: será que o objetivo humano é a sobrevivência do mais apto e propagação dos genes? Na religião, muitas vezes trabalhou-se com a castidade e com o martírio: um mártir cristão, por exemplo, poderia não ter como objetivo passar seus genes e sua meta poderia ser morrer por seu Deus, mesmo que isso significasse a extinção da raça humana se todos fossem mártires, tido como o ideal mais elevado. Paradigmas como o religioso nem sempre seguem a lógica de que o objetivo do ser humano é buscar a liberdade, a felicidade ou sobreviver.

Não há uma única forma de fazer as coisas, nem na ciência, nem na religião, ou seja na magia ou na arte. Valorizemos a diversidade da vida e do pensamento.

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