VAIDADE

Gostaria de começar hoje a nossa reflexão com uma pergunta, mas uma pergunta que não é para ser respondida, gostaria que cada um guardasse a pergunta para si e refletisse sobre ela.

A felicidade é o maior valor buscado hoje na nossa sociedade pelos indivíduos?

Ao ensinar, Jesus dizia: “Cuidado com os mestres da lei. Eles fazem questão de andar com roupas especiais, de receber saudações nas praças
e de ocupar os lugares mais importantes nas sinagogas e os lugares de honra nos banquetes.
Eles devoram as casas das viúvas, e, para disfarçar, fazem longas orações. Esses receberão condenação mais severa! “
Jesus sentou-se em frente do lugar onde eram colocadas as contribuições, e observava a multidão colocando o dinheiro nas caixas de ofertas. Muitos ricos lançavam ali grandes quantias.
Então, uma viúva pobre chegou-se e colocou duas pequeninas moedas de cobre, de muito pouco valor.
Chamando a si os seus discípulos, Jesus declarou: “Afirmo-lhes que esta viúva pobre colocou na caixa de ofertas mais do que todos os outros.
Todos deram do que lhes sobrava; mas ela, da sua pobreza, deu tudo o que possuía para viver”.

Quando ele estava saindo do templo, um de seus discípulos lhe disse: “Olha, Mestre! Que pedras enormes! Que construções magníficas! “
“Você está vendo todas estas grandes construções? “, perguntou Jesus. “Aqui não ficará pedra sobre pedra; serão todas derrubadas”
Marcos 12:38,34 13:1,2

Qual a motivação para tanta exposição própria em redes sociais? Porque redes como o Facebook, Instagram, Snapchat e outras tem tanto sucesso?

Essa corrida desenfreada por parecermos felizes e perfeitos todo tempo nos faz pensar se conhecemos realmente as pessoas, ou ainda se conhecemos a nós mesmos. Na verdade nos faz esquecer, não pensar se conhecemos ou deixamos de conhecer.

Chega a ser em certa medido o “pão e circo da nossa sociedade”.

Talvez esse hedonismo seja uma consequência de algo que vem antes, algo que está ao meu ver muito mais enraizado e difícil, tanto de percebermos como de modificá-lo, que a busca pela felicidade ideal.

Essa felicidade vem sendo vendida a muito tempo para nós, vemos isso nas propagandas, nas mídias, na política, nas igrejas e até mesmo nos centros acadêmicos.

Essa felicidade idealizada pela maioria da sociedade dita regras tão duras quantos as regras judaicas vistas nas páginas do velho testamento, senão forem mais severas ainda.

Porém esse ideal de felicidade é ilusório, e faz com que pessoas que não são felizes se retratem como tal.

E na busca por serem felizes (ou pelo menos aparentar, já que não ser feliz nessa sociedade pós-moderna é um total fracasso como individuo) se laçam ao consumo. Aquilo que Schopenhauer vai entender como divertimento, onde a lógica do divertimento é a saciedade impossível, onde o individuo deseja o que não tem e ao saciar esse desejo surge um novo desejo.

E quais são as consequências desse modo de viver pós-moderno? Várias coisas acabam por se tornar problemas nas nossas vidas em consequência desse modo de viver, porém no meu ponto de vista os maiores são aqueles relacionados a convivência em comunidade, já que uma das características do mundo contemporâneo é o desapego das relações interpessoais, individualismo exagerado.

Voltando ao texto: vemos uma senhora entregando sua oferta no gazofilácio, e Jesus chama a atenção para ela, pois ela estava entregando tudo o que possuía para o seu sustento.

Aquela senhora, talvez não tivesse entendido da dinâmica da vida em sociedade, talvez não fizesse a minima ideia sobre a teologia que baseava as leis judaicas, ela não estava interessada em parecer desprendida, (já que Jesus fala que muitos davam muito, ou seja, eles queriam aparentar um desprendimento, mas Jesus completa, davam do que lhes sobrava). Aquela senhora tinha compreendido de forma prática que algumas coisas na vida são mais importantes que o nosso próprio umbigo, que o verdadeiro sentido de viver é que a nossa vida tem que fazer sentido para outra pessoa, senão não há sentido em se viver.

Comparando com o estilo de vida nosso nos dias atuais, percebo que estamos nos distanciado dessa realidade. E a proposta da igreja tem que ser essa nova forma de olhar a vida como um todo.

Jesus ao vir a terra ele demonstrou exatamente isso: viver para servir

A teologia da missão integral de forma bem simples diz exatamente isso.

Qualquer outra proposta para igreja:

  • A igreja de Cristo tem que ser um ideal de santidade na terra.
  • A igreja tem que ser um ajuntamento de pessoas santas e separadas.
  • O povo de Deus não pode se contaminar com os manjares desse mundo (Já que o mundo jaz no maligno, não devemos pertencer ao mundo. Não! É exatamente ao contrário, se o mundo está dormindo nas mãos do “maligno” devemos ir ao mundo e despertá-lo...

Seria o que costumamos a ouvir por relativização.

Que é simplesmente tirar o foco principal, o propósito para o qual serve e mudar para um outro que nós queremos conforme a situação, conforme as conveniências.

Relativizamos a palavra de Deus, quando usamos ela para separar um determinado grupo, quando usamos simplesmente como amuleto que vai amenizar a nossa dor, ou quando usamos para manipular pessoas, oprimir pessoas com não faça isso, não vá a este lugar, fale certas palavras, não ande com determinadas pessoas.

Sobre o comportamento pós-moderno:

Devemos então nos sentir culpados de estarmos vivendo desse modo? a resposta é não!

A forma que vivemos é consequencia de anos de história, décadas de sistemas economicos, séculos de cultura.

É impossivel não viver como vivemos!

Redes sociais, internet, consumismo, manipulação de massas, velocidade de informações.

Não vamos parar com isso, nem hoje, provavelmente nem nunca.

Mas precisamos e podemos mudar nossa forma de ver o mundo, mudar a forma de ver a nós mesmos.

Estamos em um mundo que coisifica as pessoas, mas eu posso olhar para as pessoas com compaixão

Estamos em uma sociedade que classifica as pessoas pelas coisas e propriedades que ela possui, mas nós podemos qualificá-las por aquilo que diz e pela conduta que toma.

Podemos nos importar menos com necessidades superfluas criadas para gastarmos dinheiro conosco mesmos, e investir em nossos irmãos.

Pensarmos coletivamente, quando a sociedade prega o individualismo.

Dessa forma cumprimos o propósito da igreja.

E poderiamos basear esse propósito em vários versículos biblicos sem módificar em nada seu conteúdo nem mesmo isolá-los de seus contextos:

A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Romanos 13:8
Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido; amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro; 1 Pedro1:22
Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. 1 João 4:7
E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, Hebreus 10:24
Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobrirá a multidão de pecados. 1 Pedro 4:8
Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor. 1 João 4:12
Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos. 1 João 3:16
Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros. Romanos 12:10
Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor. Gálatas 5:13

E Voltando novamente a passagem da senhora que entregou sua oferta, vemos que ela poderia nem saber, mas com aquela atitude ela estava cumprindo o propósito para ela fora criada, e Jesus viu isso nela.

Ela não estava preocupada em como seria sua vida sem aquele dinheiro, mesmo porque com aquele dinheiro em mãos ainda assim não seria quase nada. Mas se ela juntasse o seu dinheiro aos demais depositados ali, aí sim ela estaria fazendo algo significativo com ele.

Hoje enquanto gastamos tanto tempo, tentado parecer alguém feliz, enquanto tentamos finger ser pessoas boas, prósperas, e nos enganamos a nós mesmos, esquecemos do que realmente importa, esquecemos da dor do outro, esquecemos da nossa própria dor.

Como naquela passagem onde Jesus está na casa de Maria e Marta e uma delas está muito preocupada em que tudo estivesse perfeito para o mestre, mas ele fala algo que ecoa pelos séculos, “porém apenas uma coisa só é necessária”.

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