Capitão Fantástico: Não é um filme de super herói

A mistura de Pequena Miss Sunshine com Na Natureza Selvagem.

O longa conta a história de Ben (Viggo Mortensen), pai que cria seus seis filhos no mato, onde ensina desde sobrevivência na selva até a mais rica literatura. Depois da noticia de que Leslie (Trin Miller), a mãe da família, vem a falecer, a família sai em viagem com a missão de impedir a cerimônia cristã e honrar o pedido de funeral da mãe.
E é isso que define o ritmo no primeiro ato do longa: um “road trip” onde a jornada se torna até mais importante que o objetivo, ao mesmo tempo que lida com os dramas de Bo (George McKay) e Rellian (Nicholas Hamilton), que são os únicos filhos que chegam a receber algum destaque verdadeiro.

Primeiramente o filme te conduz à uma visão otimista do ideal em que Ben baseia a educação dos filhos, entre 7 e 18 anos de idade, tem a capacidade física de um atleta, pensamento crítico, uma rica bagagem de referências culturais, aptidão musical e sabem argumentar. Até que o segundo ato chega…

Depois do primeiro choque cultural entre os seis filhos e os primos criados, “normalmente” os filhos de Ben fazem a sociedade moderna parecer estupida, te convence que a forma da qual as crianças foram criadas é muito melhor e é proposital. Mais pra frente no longa, em uma discussão com Jack (Frank Langella), pai de Leslie, Ben acaba ouvindo argumentos tão pertinentes ao criticar o estilo de vida da família que nos sentimos cúmplices do abuso infantil, os constrangimentos sociais e os riscos de morte demonstrados durante o filme, disfarçados de educação diferenciada dos quais somos coniventes.

A partir desse ponto, o filme se encaminha para a conclusão com uma reflexão interessante, porém trilhando um caminho simples sem mais complicações. Os problemas que ameaçavam as personagens de repente desaparecem, sem consequências, parecem só obstáculos funcionais apagados e esquecidos. O amor da família sempre vence, acima de tudo.

Com um final fácil, o impacto de toda a história parece afetar mais quem assiste o filme do que os personagens do mesmo, não que seja um defeito extremo, mas com certeza diminui o brilhantismo dos seus dois primeiros atos.

Pessoalmente, a mensagem que fica é que nada demais é bom. A linha fina no meio de todo o conceito educacional apresentado é onde utopicamente todos deveríamos estar, a naturalidade em que Ben trata assuntos que não parecem fáceis, normalmente é algo que todo mundo deveria levar em consideração pelo menos um pouco.

E fica destaco aqui a cena lindíssima de Sweet Child O’ Mine

Porque ela deve ser vista (CONTÉM SPOILERS!)