O parto, ou melhor, "The Delivery"

Sim, minha filha nasceu nos EUA. Porque? Como?

Minha linda filha Belle, by Armerique Photography.

Quando dizem que planejamento é a forma de ter sucesso, é a pura verdade. E acho que essa é a minha primeira experiência real disso.

Tudo começou em nossa lua de mel. Depois de 40 dias de estadia aqui nos EUA, decidimos que queriamos ter nosso filho e futuro aqui. Naquela época parecia aqueles desejos utópicos de recém casados, mas no fundo, sabia que era Deus me avisando sobre o futuro.

Quando cheguei, falei isso para a minha família, houve meio que uma risadinha - menino sonhador esse né?- Mas eu nem liguei. Mas meio que esqueci.

5 anos se passaram, e a minha "loucura" foi como um vírus, que infectou minha mãe, e meu irmão. Ao longo desse tempo, decidimos em família investir em ter uma casa nos EUA, e logo depois, em outra, visinha a primeira.

O cenário se tornou perfeito, e de acordo com a vontade de Deus, minha cunhada engravidou, e 2 meses depois minha esposa. Então juntos decidimos realizar aquele sonho louco da minha lua de mel. Nossa próxima geração teria também a nacionalidade americana.

O sonho de 5 anos atrás, só tinha mais 8 meses para ser realizado, porém ele precisava ser planejado. Aí entra toda a família, em especial a minha mãe.

Como ter um filho nos EUA?

Essa era a minha pergunta. Minha esposa médica, deixou pra mim a função de planejar tudo. A tarefa dela, era cuidar da gestação.

Pesquisei muito, muito, e ví que ir para os EUA para ter um filho não é ilegal, desde que você prove que tem condição para custear o parto e toda a estadia. Isso me deu muita força, primeiro para trabalhar, pois o custo não é pouco, segundo, de consciência, não faria se não fosse legal.

Após isso, comecei a pesquisar sobre ter bebê nos EUA e fiquei espantando com a quantidade de relatos. Foi então que achei uma empresa, SerMamãeemMiami, e depois dai tudo foi mais fácil. Trocando mensagens pelo whatsapp, já haviamos decidido tudo. Acho era planejar a viagem.

O planejamento é simples. Viajar para os EUA com 32 semanas de gestação, fazer as consultas, parto com 39 semanas ou mais, esperar mais 1 mês no mínimo e voltar.

Mas fomos mais cuidadosos, para evitar problemas na gestação que nos impedisse de viajar, decidimos viajar ainda com 26 semanas de gestação. E voltar apenas quando completassemos 6 meses de estadia, que é o máximo permitido pela imigração no visto de turismo.

Assim planejamos e assim fizemos.

Pré-Delivery

26 semanas, cadê a barriga?

Quando chegamos, percebemos que estavamos realizando um outro sonho, morar nos EUA. Bem, por pelo menos 6 meses. Aqui tudo é diferente mesmo, e em dólar.

A mistura do português com o inglês foi aos poucos se tornando mistura de inglês com português. As consultas com médicos americanos, e tudo americano foi uma adaptação ao jeito americano de ser.

Mas mais impressionante do que a adaptação, foi ver a barriga e a Belle crescer cada vez mais. Tudo passou muito rápido. 27, 28, 29, 30… 38 semanas!

Ansiedade

Já na 38 semana, o que nos afligia era: "Quando ela virá? Será que será na época que a nossa família estará aqui? Vamos induzir?" A grávida não aquentava mais. Queria ver o rostinho da bebê logo, por ela, poderia ser qualquer hora.

Eu queria que fosse no tempo certo, quando a bolsa estourasse. Mas já estava ficando muito ansioso. Então a hipotese indução apereceu.

Lemos então, um artigo muito bem respaldado, falando que indução a partir da 39 semana era até recomendado pelos ginegologistas americanos em uma recém conferência mundial.

Então, na consulta com o ginecologista na 38 semana, marcamos a indução para dia 31 de janeiro, quando a Day estaria com 39 semanas e 3 dias, perfeito. Toda a família estaria aqui, poderiamos nos programar para ir ao hospital que era distante (40min).

Mas o tempo não passava, até que…

"The Delivery"

Chegou o dia! Amanheceu o dia 30, dia em que iriamos ao hospital para começar a indução, para que no dia 31 de manhã cedo o parto (the delivery) acontecesse.

Mas como não somos donos do tempo, ainda na madrugada, a Belinha começou a nos avisar que seria no tempo dela e de Deus, e não nosso. Ela parou de se mexer na barriga da Day.

Preocupação, mas o alivio veio depois de vermos que os batimentos cardíacos estavam normal, tão normal que a mãe resolveu comprar um roupão para usar na maternidade.

No shopping, ela continuou preocupada, pois a nenem não se mexia. Liguei para o médico e ele falou:

Okay so, for precaution, go now to the hospital.

O programado era chegar no hospital as 6pm (18h). Mas chegamos as 3pm (15h). Parece pouca diferença, mas foi bem melhor.

Logo a Day estava toda monitorada, e foi visto que realmente ela já estava em trabalho de parto. Contrações, dilatação pequena, porém colo mais curto.

Foram tomados todos os cuidados necessários, inclusive uma aliviante anestesia para a mamãe. A evolução era lenta mais constante.

Being Strong

Mesmo com uma anestesia, a Day ainda sentia dores e sensações de que estava chegando. Era a hora de ser forte, mas não ela, pois ela sempre foi, e sim EU!

Pra quem me conhece, sabe como eu sou fraco para emoções, ainda mais as emoções hospitalares, agulhas, exames de sangue. Todos, principalmente eu, temiam que eu não aguentasse e desmaiasse.

Logo nas primeiras contrações, passei um pouco mal, de ver a Day sofrendo, suei frio, segurei forte na cama, e passou. Depois disso, eu FUI FORTE ATÉ O FINAL.

Push, push, push!

É chegada a hora. Posso dizer que minha vida é, A.p.p.p e D.p.p.p., ou seja, antes do push, push, push e depois.

Essa hora tudo fez sentido. Desde a minha escolha de esposa, da família, dos amigos, de Deus. É a hora em que um verdadeiro milagre acontece, onde uma emoção e uma força passa a fazer parte da genética.

Ás 5:30 da manhã uma grande emoção, "Water Broken", ou melhor, a bolsa se rompeu. Foi ai que a ficha caiu, e que eu sabia que tudo estava próximo.

Ligaram para o nosso médico, Dr Cruz, e chamaram o neonatologista, pois havia mecônio na bolsa.

O tempo passou muito rápido, e de repente, já eram 7:10 da manhã, o Dr estava na sala, aparamentado, a maca posicionada. Então ela pediu para a Day:

When I speak "Now", you will push with all the strength you have for 10 seconds, than breathe and start again for another 2 times.

A família toda posicionada, emocionada, e mesmo sem falar nada, passou toda a força do mundo para nós.

Então…

Push, push and push!

Eu, com uma mão segurando a Day, e a outra na maca, fazia força junto com ela e contava de 1 a 10. Fizemos isso por mais ou menos 10 vezes, e de repente, Dr Cruz coloca nenem no colo da mãe, linda, perfeita.

Tudo em nossa vida havia mudado.

Pequeno susto

Como falei antes, havia mecônio (fezes do bebe) na água da bolsa, e como protocolo, a equipe médica envolvida evitou fazer com que a neném chorasse para que ela não aspirasse o líquido do mecônio presente em seu corpo.

Rapidamente os médicos aspiraram todo o líquido, e depois de um hiato de tempo, enfim ela chorou. E como chorou, forte igual ao pai, linda igual a mãe.

Um choro diferente

Assim que eu ouvi o choro dela, eu senti algo ímpar, e algo por dentro veio, um sorisso imenso se abriu, ao mesmo tempo lágrimas intensas, que quase se repetem no momento em que eu escrevo isso.

Tudo perfeito, Deus muito obrigado

Enfim, Belle nasceu com 3.095kg, 50cm de comprimento, 33,5cm de perímetro cefálico, todos os testes e exames normais.

Nasceu no The Miami Medical Center, em Miami, Flórida, Estados Unidos.

Deus, muito obrigado por seu plano ser muito, muito melhor do que o meu.


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