Na Seleção Brasileira que encantou o mundo da bola na Copa da Espanha, em 1982, ele era chamado de Oscar, o Belo. O apelido, dado pelo volante Toninho Cerezo, justificava-se, não só pelo porte de atleta e jeitão de galã do ex-zagueiro, mas sobretudo pelo futebol elegante, e eficiente. José Oscar Bernardi parou de jogar aos 34 anos, em 1998. Hoje, com 62 anos, completados nesta segunda-feira (20), é um empreendedor de sucesso. É dono do Oscar Inn-Eco Resort em Águas de Lindóia, estância hidromineral no Estado de São Paulo.

O resort, com 65 apartamentos e 200 mil metros de extensão, é considerado “pequeno” por Oscar.

“Em comparação com outros hotéis da região, o meu é pequeno”.

Parte do empreendimento Oscar herdou dos avós. A outra parte foi comprada dos irmãos. No complexo, Oscar construiu um campo de futebol. O espaço é utilizado pelo Brasilis F.C, clube empresa que disputa as categorias sub-15 e sub-17 da 4ª Divisão do Campeonato Paulista.

Embora tenha feito uma carreira de sucesso como jogador, e atuado em clubes como Ponte Preta, New York Cosmos, São Paulo e Nissan, do Japão, e treinado equipes como Nissan, Inter de Limeira, Guarani, Al Hilal, Kyoto Sanja, Cruzeiro e Al Sharab, da Arábia Saudita e, evidentemente acumulado um bom dinheiro no futebol, Oscar afirma que teve muitas dificuldades para concluir o resort.

“Fiz tudo com as minhas economias. Não consegui encontrar investidores. Por conta disso, demorei 4 anos para concluir o projeto”, diz.

Mas hoje o ex-zagueiro não tem do que reclamar. O Oscar Inn-Eco Resort é o local preferido de muitos clubes para o período de pré-temporada de suas equipes de futebol. Paraná Clube, Ponte Preta, Flamengo, Fluminense, Palmeiras, Corinthians e a seleção da Costa do Marfim, durante a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, escolheram as acomodações do Belo para seus treinamentos e descanso.

“A localização do resort é muito boa. Fica perto da Rodovia SP 360”, diz.

Oscar está feliz como empreendedor, mas não descarta voltar ao futebol, para dar prosseguimento à carreira de técnico.

Já tomou até uma providência que considera importante para retomar seu trabalho nos gramados. Oscar era agente/Fifa. Ou seja, tinha permissão da entidade que dirige o futebol mundial para comprar e vender jogadores. Como acha, com razão, que as atividades de negociar jogadores e ser técnico de futebol não são conciliáveis _ são conflitantes, na verdade, e antiéticas _, Oscar tratou de cancelar seu registro como agente/Fifa. Agora, está no mercado em busca de oportunidades para dirigir alguma equipe de futebol.

Mas já decidiu: Não quer saber de ser técnico de futebol de equipes brasileiras.

“Aqui não dá. O futebol brasileiro é muito injusto com os treinadores. Basta uma sequência de três maus resultados para o treinador ser demitido. Prefiro trabalhar no exterior”, informa.

Oscar acha difícil afastar de vez o futebol de sua vida.

“Vivo no futebol desde os 16 anos de idade. É a minha vida. É impossível viver fora do ambiente do futebol”, conta.

Quando fala de futebol, os olhos de Oscar brilham.

A Copa de 1982 e a inesquecível seleção comandada por Telê Santana e que tinha, além de Oscar, Zico, Cerezo, Sócrates, Falcão, Éder e Júnior, entre outros craques do futebol brasileiro, ainda está viva na memória do ex-zagueiro. O time de Telê Santana foi a sensação da competição, mas foi eliminado pela Itália, ao perder por 3 a 2 uma partida que podia empatar que mesmo assim se classificaria.

“Sou parado constantemente na rua para falar sobre aquela seleção. A seleção de 82 não foi campeã, mas ficou na lembrança dos brasileiros”, afirma.

Enquanto a chance de voltar ao futebol como técnico não vem, Oscar curte a vida como empreendedor.

E, avisa: “Não era só o Cerezo que me chamava de Belo na Copa de 82. O inesquecível Sócrates _ falecido em 2011, de infecção generalizada _, também brincava bastante comigo. De Belo, hoje, eu não tenho nada. Afinal, o que o tempo não estraga?”, disse, rindo.

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