a teoria reversa do caos
os furacões da cidade ecoam uma canção nos bosques longínquos. A borboleta escuta o assovio do vento e valseia a melodia distante. O caos, enfim, toma a direção contrária.
tudo parece ser possível quando não há ordem. Sonetos, ruídos e ondas radiofônicas fagulham uma conversa sem queimar o selo do silêncio. Escolas profanadas, boletins ignorados e mal’educados dando aula. A Esperança, o mais terrível dos demônios, vive intensamente.
até no coração mais pessimista aquela que é a última a morrer faz seu ninho. Apenas cinzas no fundo da urna de Pandora, a ave brasante renasce mais bela e incendeia a alma ingênua.
agora pode voltar às profundezas que já lançou sua maldição. A história não teve fim, mas a ordem foi posta: os trens voltam aos trilhos, os peixes para dentro d’água e a Terra a girar
tudo volta a fazer sentido e a vida a ser sofrida