Ébano

Um dia me disse: “eu sou a noite e você o dia”

Findo então a infinitude de nossas vindas

No codinome madrugada te escondo

Embriago-me, mais um estrago

A escuridão tua me enlaça

Mãos gélidas de alvorada

Tão vazio noturno quanto sua voz

Me deixastes céu sem estrelas

Ausente a luz de quem perde

E como todo bom paradoxo, nos quebra

Imensurável apagão preto

Chegastes feito aurora

Consumindo os últimos raios dourados

D’uma apática luz fraca do fim de tarde

E partiu em nuances

Cores abençoadas por paleta oferecida

Aos justos de contemplá-la

Aurora do dia só se faz

Presente se tu passas

Eu Sol, dono de toda cor

Escureço agora o que é meu

Enquanto o breu dos teus olhos

Me grita: “sou teu!”