Quis matar-(me)

Fotografia de Raissa Gama

A um tempo atrás, eu estaria chorando, sozinho e sem deixar um rastro de lágrima, justamente porque eu odiava me sentir e mostrar-me vulnerável, e saber que as pessoas estavam por dentro dos meus problemas me assustava, me envergonhava, porque eu tinha medo, medo do julgamento, do olhar, das reações, das exclusões, medo de não saber lidar seja lá com qual fosse o depois. 
Por isso eu me escondia, mutilava minha liberdade todos os dias com pensamentos que me deixavam sufocados dentro de uma casca chamada 'manter-se bem a qualquer custo' .
Foi quando eu decidi que precisava sumir, cogitei que morrer era uma opção válida. 
Eu não sei como a vontade de suicídio se dá nas outras pessoas, mas em mim era algo muito covarde, ecoava a qualquer parada e olhar, era a saída mais rápida para não sofrer uma vergonha social, cheguei a pensar que se eu morresse sem ser exposto, conseguiria manter a imagem que eu havia criado, para mim era isso que importava, minha imagem, e como as pessoas me enxergavam, o quanto me conheciam e o quanto se sentiam bem perto de mim. Eu poderia estar um caco, mas na frente dos outros eu estava perfeitamente bem!


Eu demorei muito para admitir que estava dentro de um quadro de depressão. Demorei porque aceitei a minha própria mentira, aceitei que precisava estar sempre bem e disponível para quem precisasse, mesmo que a ajuda que eu oferecesse fosse pelo simples fato de manter-me bem no ranking inconsciente que eu acreditava que os outros criavam. 
Eu não admitia ter que pisar no fundo do poço, mesmo que eu já estivesse lá.

As vezes eu não suporto pensar que já estive tão distante de mim, tão ausente. E me dói ainda perceber que deixei muitas coisas passarem.

Eu tive, mas foi difícil…

Não é fácil admitir um erro, não pra mim, que sempre me cobrei o topo, que depois apenas me serviu como altura de queda.

Florescer
Recomeçar é a melhor decisão na maioria das vezes, mas nunca é a melhor jornada, e de fato as piores jornadas nos dão os mais fortes motivos para continuar depois que concluímos a rota, deixar todas as feridas serem curadas pela caminhada se torna algo constantemente exaustivo. Mudar as atitudes, os pensamentos, as perspectivas, se adaptar a uma vida livre de rótulos não é como um feitiço do bruxo Harry Potter, pode até parecer, mas mudar aquilo que foi ensinado como o correto, como o que tem que ser feito,

azul, menino, rosa, garotas, igreja, salvação, esteja bem, sorria, me venda sua alma’.

Se livrar disso tudo leva tempo.

Nem de longe eu sou a vítima, até porque nisso tudo eu não acredito que exista vítima, eu acredito que haja uma passiva aceitação por conta de ensinamentos impostos.

Agora eu me olho no espelho e procuro em mim vontade para continuar, e olha, eu tenho achado, nas pessoas, nas fragilidades sociais e humanas que podem ser sanadas pelo potencial que há dentro de cada um de nós, mas principalmente na arte e em como ela pode afetar os outros de uma forma tão digna, o prazer que se tem quando alcança-se alguém com uma verdade torna-se indigna de argumentos para melhorar a técnica do performer.

Eu sei que essa história tem outros capítulos, na verdade todos nós temos outros capítulos, cabe a gente fazer uma revisão geral e publicá-los ou não. Acho que seguir é o meu ponto em diante de hoje (.)

Nunca deixe de mudar por medo, porque ele sempre será a pauta principal da sua superação!

Beijao...