Carta de Repúdio à “Nova” Composição Ministerial

Nós, Jovens RAPS (Rede de Ação Pela Sustentabilidade) da turma de 2016, fundamentados nos nossos valores da justiça, meritocracia, igualdade e impessoalidade, pluralismo político, diversidade e justiça social, viemos por meio desta manifestar o Repúdio a nova composição ministerial do governo Temer.

É de conhecimento público a forma pragmática/fisiológica em que são escolhidos Ministros de Estado no Brasil, criticamos o toma lá da cá que tem sucumbido nossas conquistas econômicas, ambientais, trabalhistas e sociais em nome da “governabilidade” que continua dividindo o Estado para que muitas organizações criminosas possam chamar o que é público de seu e operar o que há de mais atrasado na política brasileira.

Antes mesmo da conclusão do rito de impeachment, a composição ministerial do governo Temer era rotulada de “ministério de notáveis”. Pois bem, a conjuntura atual apresenta, de fato, uma composição notória de ministros homens, brancos e com baixíssima ou nenhuma representação com minorias. Ademais, dos 13 parlamentares que foram alçados ao primeiro escalão burocrático, 11 tem alguma pendência na justiça e 7 são investigados pela Operação Lava Jato. Prometeram tudo. Entregaram nada. Ou melhor, entregaram retrocessos sociais profundos.

Na escolha da nova composição ministerial o atual governo preteriu mulheres, negros e pardos que somados representam a maioria da população brasileira, população essa que historicamente foi excluída e marginalizada do âmbito do direito e da cidadania, bem como dos espaços de poder e formulação política.

É temerário num momento de profunda crise, de inúmeras dúvidas e incertezas, reforçar velhas práticas que nos remontam aos tempos de coronéis, de concentração de poder somente no universo masculino, bem como no “embranquecimento ministerial”.

Repudiamos a extinção do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, isso é o retrato fiel do desmonte que se apresenta nas pautas progressistas desse país. Tal esvaziamento representa um retrocesso político incomensurável ao Brasil, afinal, desvaloriza todo o acúmulo de diálogo e estreitamento político construído pelos mais diversos setores da sociedade brasileira nas últimas décadas entre governo federal, movimentos sociais e sociedade civil organizada.

É necessário entender que nosso sistema político reside sobre princípios de proporcionalidade da representação. Pode-se entender que, muitas vezes, os princípios sejam falhos, em especial nas casas legislativas. No entanto, é necessário apontar que há resistência. Além de homens brancos, heterossexuais e políticos profissionais experientes, existe uma minoria, barulhenta, que defende os direitos dos sub-representados e, por bem ou por mal, se faz ouvida. A atual composição ministerial sequer oferece um representante da maioria da população brasileira.

Em momentos de crise, o conjunto nacional é necessário. O povo precisa se ver representado na construção das mudanças. Infelizmente, ao que se aparenta, o futuro será formado, mais uma vez, por todos, menos o povo.

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