A negação da pluralidade cultural

O pensamento capitalista, desde sua gênese, impõe que o ócio é de má natureza humana. De fato, os colonizadores que chegaram em terras americanas, em meados do século XVI, não respeitaram os costumes dos nativos que aqui habitavam. A cultura dos nativos não tinha a mesma base do capitalismo: trabalho e captação de bens. O sistema capitalista matou o ócio contemplativo, comum ao pensamento do homem no tempo de Platão. Um dos axiomas do capitalismo, e junto dele de religiões que têm como princípio a obtenção de bens –no caso do protestantismo Calvinista- é o trabalho árduo e cotidiano para conseguir, de fato, ter algo. A lógica do pensamento é sempre visionando a conquista material. Todavia, não são todos que pensam do mesmo jeito: trocar o seu tempo para em troca “ter algo”. Quando os colonizadores viram uma cultura totalmente oposta a deles, houve um choque cultural imenso. Os Europeus não aceitaram que homens sadios não disponibilizassem grande parte do tempo trabalhando; e como de costume, o branco quis impor sua cultura Eurocentrista junto de seu modelo econômico. Vemos essa intervenção cultural não só no caso indígena nas Américas, mas também na intervenção americana no Oriente Médio, trazendo consigo o Imperialismo opressor ou também caso de grandes potências Europeias disputando território na disputa neocolonialista no século XIX — uma das grandes causas essa da Primeira Grande Guerra- . A mão-de-obra exigia demais dos índios, consequentemente, o povo veio a extinguir-se rapidamente. Segundo o sociólogo Eduardo Galeano, o Nordeste brasileiro foi rapidamente esgotado, no século XVII –nos grandes Engenhos de açúcar- graças as grandes queimadas para “limpar” o terreno e dar espaço aos grandes canaviais que ali seriam plantados. Em decorrência disso, a fauna e a flora foram extremamente prejudicadas, grandes matas devastadas também em decorrência da monocultura que ali estava sendo imposta. O choque cultural nunca permitiu que o lado mais “fraco” se desenvolvesse e mostrasse seus hábitos e valores. O sangue e o ouro prevaleceu mais uma vez nos ideais capitalistas.

Yuri Lorscheider — 27/07/2015

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