Diferentes Ângulos
Estava eu a caminhar na rua de casa. Andaria até o mercado da esquina. Era dia de pão de queijo no jantar, mas o maldito requeijão havia acabado.
No meio do percurso percebi que um de meus cadarços estava desamarrado. Parei e abaixei para resolver tal questão. De cara um brilho me chamou a atenção, era uma moeda de um real, bem ali na minha frente, ‘que sorte a minha, um terço de requeijão de graça’.
Após a breve comemoração, voltou com seriedade ao que realmente me interessava: o rebelde cadarço direito. Porém, antes mesmo de cruzá-lo, notei o canteiro finalmente consertado e me perdi entusiasmado em pensamento:
‘Mas que belo trabalho fizeram nesse canteirinho, as pequenas flores recém-brotadas então, estão lindas! E que ar fresco que bate aqui embaixo, é muito mais cheiroso também. Nossa, que sorte a dos anões que passam por isso todo dia!’.
Me recompus, estava na hora de enfrentar as tentações do mundo de baixo, amarrar o cadarço e voltar ao meu já quase esquecido objetivo inicial: comprar aquele copo de requeijão. Feito. Levantei e dei os passos finais que me levariam até o mercado. Como já tinha perdido muito tempo contemplando o baixo mundo fui direto para o corredor de coisinhas pra passar no pão.
Facilmente reconheci os requeijões e me foquei no meu favorito, aquele de tampa vermelha, de copo grande e saboroso. A frente daquele freezer gelado repensei minha atitude, estava na hora de inovar, de fazer diferente na hora de escolher o acompanhamento do meu pão de queijo: ‘O que um anão faria? Ou melhor, o que um anão escolheria?’.
Baseado em minha experiência do dia, ajoelhei, assim como fizera na rua, e inclinei meu olhar para o primeiro creme que veria em todo aquele sortimento, era ele que eu levaria para casa. E vi: Geleia de Pepino dos montes de Macapá. ‘Nossa, coitados dos anões que comem disso todo dia!’. Peguei o requeijão que tanto gosto.