A Dama de Minha Perdição

“Posso ser um homem angustiado que permeia os pensamentos mais oblíquos em busca de um conforto, mas que só encontra a frustração da tristeza que escarneia de minha alma. Entretanto, num doce lampejo de vida concreta que tive senti o toque conflituoso e amável de uma Dama que escarneceu a negritude em mim alojada. O escuro tornou-se claro em um cintilante e distante ponto de reflexão existencial. Tal ponto de luz se deu pelo olhar maciço que falava comigo e deixava-me repleto de necessidade gozosa. O calor dos lábios dela aqueceu-me na mais fria e soturna valsa tristonha. Ah… aqueles olhos e aquela boca! Não falavam nada, mas diziam tudo. Tudo. Sim, tudo aquilo que nunca me foi dito em palavras, tampouco em gestos mas num simples feixe de tempo fizeram-me sentir parte de algo. Algo que me envolveu, que me compenetrou e que deixou-me ensandecido pela busca de tocar e sentir ainda mais o corpo daquela Dama. Ainda sinto o toque de minhas mãos naquelas cinturas suntuosas e desejosas. Queria jogá-la no chão e envolve-la completamente em meus braços fazendo-a sentir-me por completo. Queria baixar suas vestimentas e encaixar-me em suas coxas penetrando-a com o meu toque enrijecido. Entretanto, não o fiz. Quisera eu ter feito. Teria sentido a felicidade por algum tempo e isso amenizaria a minha dor. Sofro por sofrer, mas aquela Dama… Fez de mim um pote de alegrias. Foi mágico. Senti-me compenetrado como se estivesse presente num transe esotérico ao qual beijava a morte e agarrava-a… Era extremamente prazeroso. Dei-me conta que era tudo ao mesmo tempo, espiritual e carnal, desejoso e repulsivo, saboroso e ao mesmo tempo amargo. Um meio-termo que trouxe a incredulidade da perfeição a tona. Trouxe a alegria e a necessidade noturna de estar vivo. As noites são mais completas e pensar que tudo isso aquela Dama me proporcionou. Ó Dama bendita que habitas em mim no profundo íntimo de minha maldição permita-me tocá-la e fazer-se minha mesmo que sejais nos mais infortúnios de meus sonhos de perdição”.

Àquela que não foi e nem é, tampouco será, mas que mesmo assim fez-se Ser.

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