Nem sempre conseguimos colocar para fora aquilo que realmente carregamos aqui dentro
Acostumamo-nos a viver com o superficial desde pequenos, quando aceitamos a chupeta que nos colocam na boca para calarem nosso choro, que até então, é nossa única forma de expressão. Quando nos dão um presente para suprir o espaço da ausência ou quando nos deixam assistir o que quisermos na tv, ou mesmo ver o dvd da galinha pintadinha pela vigésima vez, só para que não atrapalhemos os afazeres de outrem.
Aprendemos desde cedo a colocar tampões nos nossos olhos, em nossa boca, nos nossos ouvidos, desejos, sentidos. E claro, desaprendemos a controlar isso e quando crescemos achamos que o anormal é sentir, é necessitar expor o que é sentido, ou que é desnecessário dar atenção para aquilo que nasce, grita e chora dentro de nós.
Envoltos de pessoas que falam o tempo todo sobre coisas que não são na verdade as que precisariam ser faladas. De pessoas que não sabem ouvir e raramente sabem sentir além daquilo que lhes é ensinado e permitido.
Eu sempre acreditei, e ouso acreditar ainda, que a nossa linguagem natural e universal é o amor, sempre foi e sempre será. O que acontece para que essa linguagem não tenha tanta visibilidade e permanência hoje é o percurso que começa a ser traçado de uma forma errônea quando nos ensinam que o amar se resume em querer “ter” e estar com outra pessoa.
Dar carinho e presentes caros. Ter, estar, e não o SER. Ser aquilo que se é. Sentir aquilo que realmente se sente. Falar e fazer coisas que realmente queremos. Nessa ordem, e depois , sem problemas podemos continuar com o ter e estar.
Acho difícil alguém realmente conseguir amar outra pessoa ou coisa se antes não teve a experiência de amar a si mesmo. E essa experiência só é verdadeira quando somos livres para conhecermos e ser quem realmente somos. Nossos limites, nossas vontades, nossas formas de expressar aquilo que precisamos falar. Seja num choro quando ainda bebê. Seja num abraço quando adolescente. Seja num “é sensato, mas não quero” quando adulto.
Só saberemos amar de verdade quando a nossa vida for realmente uma escola de aprendizado sobre nós mesmo, sem que nos roubem esse direito.
Pais, futuros pais, educadores, estado, sociedade. O amor depende da liberdade que damos aos outros para que eles realmente sejam o que são e descubram isso, com o nosso auxilio, não com a nossa imposição ou restrição.
