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Experimente ler ao som de “Evanescence — Lithium”

O conforto de meu edredom em um colchão vazio,
recebe a podridão de um cadáver tão sadío..
Frio com o fogo da lembrança degenerando a astúcia,
me força a escrever a milésima nota sobre a angústia.
Fútil surto desprezível...
será que essa saudade é tão… visível?
Eu levanto e decendo as escadas vou para a sala,
ouvindo soar em meu ouvido mil incompreensíveis falas.
Sete garrafas e o descontrole à frente,
talvez hoje à noite necessito disso para ocupar a mente.
A lareira e seus estalos em espasmos,
aquecem a lembrança de onde nunca chegamos;
tal paisagem nunca agraciará nossa visão,
perdoe minha embriaguez... me perdi na emoção.
Sete goles e desabo ao chão,
num frio sob o rio egocêntrico da solidão.
Na queda minha carteira salta e escorrega à minha frente espalhando os documentos,
em meio a eles há uma recordação de um momento;
Uma foto sua de um dia que saímos para o centro,
num surto eu rasgo em muitos pedaços e entrego ao vento,
e devolvendo ao chão ele nem leva...
para tirar esse tormento de mim não há quem se atreva.
A escada é alta e me chama,
eu subo lentamente com a calma de quem proclama e se engana...
num verso lindo e irreal,
para ouvidos surdos numa angústia tão leal...
Daqui de sima eu vejo os pedaços que eu fiz de você,
mas ainda te sinto inteira aonde eu não consigo ver.
Meu candelabro não tem velas mas há fogo o cercando,
posso ver o brilho de seu bronze em meio a lareira... queimando.
O pó da lembrança que quero esquecer e ao mesmo tempo não...
minha fênix é o vão que eu quero ter, e sei que é uma ilusão.
Sob o tom da respiração de uma libertação que eu contradigo,
me diga, o que há de errado comigo?
Eu exijo que essa ausência não me trastorne,
enquanto já estou transtornado... por favor retorne.
Um vinho, vermelho como meu sangue preenche a taça,
em goles descontrolados a embriaguez me abraça...
Eu esbarro pelo corredor derrubando todas obras de arte,
deixando pelo caminho minha tristeza e suas partes.
O caminho é confuso e é meu maior desabafo sem pronúncia,
vindo em silêncio o Sono dos sonos se anuncia;
Estou na ponta da escada e tropeço no descontrole,
traçando um rumo à linda, vazia, e triste necrópole.

Meu sangue e o vinho se tornaram um só...


"Senhor, ajude minha pobre alma..."
- Edgar Allan Poe
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