Herança

Em passos lentos, meus olhos vagam em meio as ruínas,
terra coberta de destroços e entulho... terra que fora minha.
Outrora um lençol de flores aquecia o solo,
outrora numa noite fria, teus tons vívidos foram para mim um colo.
Agora, o que tenho é esse tom lúgubre que me persegue e me abraça por todos os lados...
este melancólico tom cinzento que herdei dos meus antepassados.
Herança pragmática em sua hora de chegada,
herança que com avidez veio me encontrar, seguindo minhas pegadas.
Foi quando me perdi em traços que sussurravam presságios,
que me abraçaste, tuas garras afiadas rasgaram minh’alma, e meu salvador não foi ágil.
Na falsa liberdade, o pó salta ao impacto eterno de meu corpo com o solo, se solta no ar e volta em sua queda para à morte;
nas mãos da maldade, as ruínas se espalham asfixiando toda a sorte.
A cortina dos resquícios de paz infla aos nossos olhos, devaneios que tapam nossa visão...
Você consegue ouvir o som de mais paredes desabando, assim como ouço?
A sujeira começa a preencher nossos pulmões, soprando a morte em nosso coração;
Vítimas de nossa desgraça, nossos dias são opacos, e nós morremos pouco à pouco...

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