Intensidade

Que essa incompreensível intensidade seja pela força intensa da idade,
que me deixa a flor da pele e faminto pela verdade. 
Que o tempo me traga a sinceridade e ela afaste tudo que me desfaz,
enquanto isso eu sou e espero além do mais.
Porque só o mais é de menos aqui,
o inaudito é o que necessito que me leve para sair;
Sair pelas ruas da imaginação a beira da incompreensão do amar,
num chão que construi com minhas próprias mãos e nele meus pés são livres para caminhar.
O ar me abraça por inteiro me enchendo de vida,
e por não estar preso, nem preciso me preocupar em procurar a saída.
Numa visão panorâmica eu vou te mostrar o que nunca pude alcançar,
o que você nunca leu e eu nunca deixei de ler em teu olhar.
Mostrar a minha confusão que só você na íntegra consegue entender;
mostrar como estou encomodado com a angústia, mostrar os sonhos que você não vê. 
Mostrar o que sinto quando descubro que assim que postei um verso você foi ler,
mostrar a tempestade que se agrava em minha mente sempre que começo a escrever.
Mostrar o que meu silêncio recita,
mostrar o que afasto enquanto meu coração não o evita.
Mostrar a saudade que escrevo e a falta que preenche essa folha,
mostrar como é difícil cada passo longe de ti, cada ato, cada escolha.
Mostrar que o terremoto de minha antipoesia é inócuo para quem não busca o compreender,
e mostrar que o epicentro dessa abstração formosa é só você.
Desejo que cada fragmento dessa incompreensível saudade saia sem rumo e sempre esqueça o caminho de volta,
que se perca em algum lugar que eu nunca passe, e que morra nessa reviravolta.
Que esse devaneio se desfaça e não me acompanhe na eternidade,
que os anos passem e amassem ao me amar essas folhas preenchidas com saudade.

Desejo enquanto vejo meu desejo se tornar apenas algo distante que almejo.

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