O Último Suspiro

odiável verso fúnebre

Abra meus olhos e me preencha de esperança, eu estou clamando;
traga a misericórdia à esta alma que está se definhando.

Respirando lentamente o mais vivo e puro aroma,
estaria eu numa paralisia do sono ou em coma?
Esse colchão foi confortável outrora,
hoje em dia só me trás à agonia para ir embora.
Meu céu é escuro e opaco não há estrela que brilhe aqui,
não há nuvem ou névoa e nem para onde fugir.
Minhas visitas não me visitam e nunca chegam com atraso,
se eu acreditasse em destino diria que era obra do acaso;
Elas vem e não me vêem me olhando tão de perto,
numa certeza da córnea elas me tornam algo incerto.
E lá estão, paradas, entregues as asas da integridade no vento,
rodeando minha carcaça e espalhando um doce unguento.
Minhas mãos inertes ficam sempre sem beleza,
se esticando para eternidade com sua aprazível leveza.
O meu bem não veio a mim e sim eu não pude esquecer,
em muitas gotas de angústia que eu tive que beber.
A fonte mais pura e limpa que eu mesmo poluí, 
por uma mão tão ímpia que me empurrou e eu não vi.
Oh terrível e impiedosa na mão dos céus que me agarra e me devora,
me faça temer tuas curvas em mil entranhas e à astúcia de uma víbora.
Num sinismo que transborda indiferença,
eu nunca mais sentirei o ar gélido de tua presença?
Desde então um enorme receio preencheu meu peito,
tornando o maldito medo meu lindo e maior defeito.
Eu li versos tão lindos sobre amor e recomeço,
lendo em meio a minha angústia e a cada linha eu pereço.
Mas não esqueço da graça que me preencheu,
recitei milhões de versos de amor e nem parecia eu;
meu coração sorriu e viu o que eu não percebi,
se encontrou no rio da paz enquanto eu só me perdi.
Eis a bênção de um beijo delicado em minha testa,
me pergunto na inércia:"Que veneno é esse que me infesta?"
Toca meu corpo lentamente com um tom de despedida,
compartilhando do último suspiro de minh’alma tão sofrida.
Eis à dança macabra das iris de meus olhos clamando por misericórdia,
ao som dos berros de minhas células em discórdia.
Algo arranha a porta de meu quarto num apavoro que me assusta;
o que será esse tormento e à quem será que busca?
E então o vento invade meu quarto soprando aos gritos e forte,
num susto meus olhos abrem e me deparo com a impiedade da inevitável mor...

Meu coração foi congelando lentamente enquanto eu perdia a vida que eu nem se quer vivi.


Eu odeio meus sonhos!

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