Os Conselhos Que Eu Não Seguí

Corra, criança feliz. Corra...
Com teu sorriso, diga ao céu que eu já vou
Diga ao mar que me espere no reflexo do que sou
Espere até que as estrelas saibam
Brinque com tuas alegrias até que, em ti, elas não mais caibam
Ò dia infeliz!
Elas fogem e nos temem como um escorpião teme o fogo
Nos deixam mentir e omitir, nos entregam ao vazio... ao vago
Pensamentos egoístas nos devoram...
Ò criança, não brinque na ciranda da vida
E nunca espere ser ouvida
Outra vida escorre dos olhos
A sombra tênue da inércia, os poços
Nos chamam cada vez mais alto
Nos querem cada vez mais perto
Tudo bem se teu bem não estiver aí?
Talvez a luz não elimine teu desejo de ir
Ò criança, tudo passará rápido ao teu lado
As vezes, rápido o suficiente para te deixar no passado
Como areia... ò vida, como areia
Nas mãos de meu desejo, permeia
E tudo o que fazemos é assistir
Deixe o olhar se despedir
Se despir do calor da presença
Se deitar na mais profunda descrença
Ò criança, não abra tuas mãos
Não ouse brincar com a solidão
Cicatrize as decepções — mesmo que ninguém insista
E não brinque na ciranda da vida, ela nos enche de pensamentos egoístas.
Pequena, ao olhar no espelho vejo em ti, uma inquietação disfarçada de sono.
