Um Poema Feio e Sincero Demais

Eu odeio poemas de amor, e quando...

As músicas ganham um tom diferente
As estrelas: um brilho a mais
E o tom lúgubre e "perene" à minha frente
Se disfaz

Eu odeio poemas de amor, e quando...

Me torno uma contradição ambulante
Na distância: intenso e imutável 
Bem inseguro, mais irritante -
Tolo eu, tentando descrever o inefável

O endereço ainda é o mesmo -
Da casa e do coração;
Vago diariamente pelos cômodos, a esmo
Mas em pleno cimento, me sinto sem chão

Eu sinceramente odeio como você me prende -
Ou talvez, eu mesmo me prenda nessa quimera
Que infla e fere minha mente
Por não esquecer e permanecer na espera

Uma espera do que não vem
Uma saudade que nunca vai
Uma vontade de um alguém 
Que eu criei e lentamente me destrói

Uma queda infinita
Livre, livre, tão livre de paz
No silêncio que me evita
E grita na inquietação que me desfaz

Eu odeio poemas de amor
Principalmente os que escrevo e não posto
Pois eles brincam com minha dor
Com cada verso que traça meu rosto

Eu odeio poemas de amor enquanto me contradigo, amando o poema que você é.

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