Sr. Borderline

Eu posso ver o que não há
Posso sentir o que não está
Sou O Criador das dores
E O Destruidor dos amores

Que nunca chegaram...

À sete palmos abaixo da carne
Sentindo a aproximação em cada parte
Invadindo a calma, rompendo o silêncio
Preenchendo-a numa absoluta ausência

Que nunca chega...

Como um rato encurralado em um esgoto entupido
Sentindo a água fervente em seus sentidos
Cada vez mais nítida, cada vez mais próxima
Imaginando quais serão as memórias póstumas

Mas ela nunca chega...

Há tudo enquanto há nada
É passado o presente que não ocorreu
E o futuro que nas incertezas me amarra
Esmoreceu

Por estar aqui enquanto nunca chega.