Tempestade

“Os sons que todos adoram, eu não ouço;
As cores que todos louvam, eu não vejo;
Tudo é cinza. Tudo é silêncio. E breu
Que me consume nas mil vozes
De uma ruminação mental infinita;
Um cemitério de memórias
Mãos que saem de suas covas
Rasgando a sobriedade com a força de um trovão
Uma introspecção involuntária…”

Pobre garrafa levada pela maré
O manuscrito em ti nos dirá quem tu és?
Prenda-o e aprenda sobre o silêncio,
Ouça ele se debater em seu interior — ocultado pelo som do vento
Lamento; afogue o teu lamento na inércia
Enquanto destrói a condolência;
Quem controla a força dos mares?
Quem sopra a desgraça nos ares?
Quem amaldiçoou a prole?
Quem é o maldito no controle?

O manto da noite encobre o céu
Estrelas ascendem a esperança sob o véu
A maré me trata como réu
Me jogando contra rochas, eis o sabor do fel;
Cicatrizes costuram memórias?
O ranger de um vidro frágil em meu martírio das doze horas.
Você consegue ouvir o trovão?
Consegue saber em quantos pedaços se encontra meu coração
Onde está o porto? 
Maldita tempestade que faz de mim um morto.

Há algo no mar que preenche meu vazio
Há um odor nas memórias que me traz alívio
Sob a força do rugido do trovão, sou lançado de um lado para o outro
Ainda sonhando em encontrar o porto
Mas é tarde. A âncora interna me puxa
As letras são borradas por uma salvação suja
Adentrando minhas cicatrizes, meu mundo me abraça
Preenchendo meu vazio com a desgraça
O peso me torna inerte enquanto sigo a linha do mar
Fundo; abissal; onde está o ar?
Quem saberá o que levei se nunca cheguei a costa?
Guarde meu sigilo, Ò Mar, e mate cada memória póstuma.

Você consegue ouvir o trovão?


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