A velha discussão sobre o conflito entre a necessidade de promover a segurança e o princípio da preservação da privacidade.

Antes de começar, gostaria de dizer que a um certo tempo já venho querendo preparar uma resenha/análise e agora estou aqui, diante de minha primeira resenha que será sobre o primeiro livro do famoso e consagrado autor Dan Brown. Confesso que nunca tinha lido um livro dele, mas já tinha ouvido falar desse grande autor e resolvi começar a prestigiar seus trabalhos pelo seu primeiro livro lançado: Fortaleza Digital.
 
 Vamos direto ao ponto: acho importante começar qualquer resenha fazendo um resumo do que conta a história do livro e falando sobre os principais personagens da trama.
 
 Fortaleza digital, conta uma história que envolve uma das principais agências de inteligência dos Estados Unidos: a NSA, a importante criptógrafa da agência chamada Susan Fletcher, seu noivo, o professor universitário David Becker, o diretor da agência: Leland Fontaine, o vice-diretor Trevor Strathmore, um outro criptógrafo chamado Greg Hale e alguns outros funcionários da National Security Agence, além do ex-funcionário Ensei Tankado e da super máquina que custou bilhões ao governo dos Estados Unidos: o TRANSLTR, que foi construído com o intuito de quebrar qualquer código e desencriptar qualquer mensagem ou qualquer email que fosse enviado em todo o planeta, o objetivo desse projeto era basicamente prever qualquer possível ataque terrorista.
 
 Observação: o livro foi lançado em 1998 e naquela época (como vocês já devem saber) a tecnologia a disposição da sociedade e das agências de segurança não era tão sofisticada como hoje em dia então é importantíssimo que ao ler o livro, o leitor fique com a cabeça no final dos anos 90, porque, caso contrário, ele pode ficar bastante frustrado com essa espécie de suspense tecnológico.

A editora Sextante sempre faz questão de destacar o fato de Dan Brown ter sido responsável por O Código Da Vinci na capa de livros do escritor que não são tão famosos.

O que conta a história?
 
 A modernidade e os avanços da tecnologia, tornaram mais difícil o trabalho da NSA, que era de decodificar códigos que estivessem protegendo arquivos suspeitos. Pensando em deixar de ficar obsoleta na vigilância a possíveis tentativas de planejamento de ataques terroristas, a agência teve a idéia de criar uma super máquina com milhões de processadores, o TRANSLTR, capaz de quebrar qualquer código e tornar acessível o conteúdo de qualquer arquivo enviado de qualquer parte do planeta. A construção da máquina, que, exigiu que fossem gastos bilhões de dólares do tesouro dos EUA, levou vários anos para terminar, e foi feita sob absoluto sigilo, e quando o TRANSLTR ficou pronto, os diretores da agência de segurança, pensando em proteger o projeto de ficar ultrapassado, deixaram vazar “informações” de que o projeto tinha sido um fracasso total, com o objetivo de enganar programadores que criavam algorítimos bem mais avançados para ficar a disposição da população conforme a NSA se reinventava.
 
 Ensei Tankado, que ajudou na construção do TRANSLTR, queria que a NSA, tornasse público, o fato de que, usando ele, o governo poderia ter acesso ao conteúdo de qualquer email, já que a própria agência seria responsável pela regulação do dispositivo de decodificação. A agência, não queria ter que ficar enfrentando a fúria de organizações que reivindicavam os direitos dos usuários de internet, e iriam protestar contra o governo, caso soubessem que o tal projeto poderia ameaçar a privacidade das pessoas. Pensando nisso, o pedido de Ensei Tankado foi rejeitado, ele ficou revoltado e se demitiu. Ele não se demitiu antes porque a princípio, a idéia era de que o computador seria usado para decifrar emails apenas em casos onde houvesse a autorização do departamento de justiça dos EUA. Quando a NSA descobriu que Tankado estava tentando entrar em contato com uma organização protetora dos direitos dos usuários de internet, acabou intervindo, capturando e deportando o ex funcionário para o seu país de origem: Japão.
 
 Depois de um certo tempo, o TRANSLTR continuava funcionando as mil maravilhas, quebrando vários códigos por dia com uma eficiência impressionante e Trevor Strathmore, vice diretor da NSA, ao interceptar conversas de Ensei Tankado com o seu parceiro, chamado de North Dakota, viu que Ensei havia criado um código supostamente indecifrável e que ele iria lançar na internet o algorítimo responsável por esse código. Strathmore também descobriu que o algorítimo seria protegido por uma chave e se alguém quisesse saber qual era chave, teria que ganhar o leilão que o ex criptógrafo da agência promoveria. Quando o algoritmo foi lançado na internet, Strathmore fez o download do arquivo e tentou quebrar o código que protegia o algorítimo usando o TRANSLTR, o seu mega computador. Quando Strathmore recebe a notícia de que Ensei Tankado faleceu ao fazer uma viagem a Espanha, chama David Becker, noivo de Susan Fletcher, para fazer uma viagem a Sevilha, cidade onde Tankado morreu, para encontrar a tal chave que dava acesso ao algoritmo que ele poderia estar carregando na hora da morte. David Becker não trabalhava para o governo, era um cívil e foi chamado porque falava várias línguas, inclusive espanhol, mas principalmente porque Trevor Strathmore não queria usar os canais normais para fazer isso, pois caso usasse, poderia espalhar a informação a respeito do Fortaleza Digital (nome que é dado ao algorítimo supostamente inquebrável) e essa era uma preocupação do vice diretor.
 
 Quando o TRANSLTR demora muito mais do que o normal para quebrar o código que protege o Fortaleza Digital, Strathmore, chama Susan Fletcher, a mais importante criptógrafa da agência e conta o que está acontecendo, enquanto no necrotério de Sevilha, David Becker descobre que Ensei Tankado usava um anel na hora em que morreu e que esse anel não está mais com ele. Com a descoberta, David e Strathmore acham que o anel pode conter a chave e a partir daí começa uma busca desesperada atrás do tal anel enquanto nos Estados Unidos começa uma outra busca atrás de North Dakota que também pode ter a chave do Fortaleza Digital já que era parceiro de Ensei Tankado.

Dan Brown começou sua carreira como escritor com o pé direito ao lançar Fortaleza Digital.

Pontos positivos
 
 — Ao ler o livro, o leitor adquire muitas informações de conhecimentos gerais no que diz respeito a inteligência dos Estados Unidos. E convenhamos, conhecimento nunca é demais (permitam-me utilizar esse clichê).
 
 — Sempre, ao final de cada capítulo, Dan Brown lança uma frase de efeito ou um fato importante que causa uma reviravolta e excita quem está lendo a continuar acompanhando a trama. Algumas pessoas dizem que essa, além de ser uma ótima forma de prender a atenção do leitor é também uma característica presente em outras obras literárias de autoria do próprio Dan Brown.
 
 — A narrativa é excelente, mesmo com um certo número de personagens e elementos, Dan se saiu muito bem ao contar essa maravilhosa história.
 
 — No livro, a mensagem implícita, chega a ficar bem nítida, que é justamente, estimular o debate a respeito da questão da vigilância em relação a ataques terroristas e a privacidade dos cidadãos de maneira geral. A obra faz qualquer um refletir se vale a pena, ou se é aceitável que o governo tenha a permissão para interferir na privacidade de todos para proteção do país, ou não. Em diversos momentos, os principais personagens da trama apresentam argumentos contra, ou a favor dessa permissão citada anteriormente.
 
 — Dada a qualidade do livro, a presença de ação misturada com drama e suspense e de uma história um pouco complexa mas fácil de entender e acompanhar é possível afirmar que não é complicado ler toda a obra em poucos dias.

Sede da NSA, localizada em Fort Meade, Maryland.

Pontos negativos
 
- Tudo bem um livro ter momentos, digamos, surreais, contudo, a aventura protagonizada por David Becker, contém pelo menos duas cenas decisivas em que o leitor pode muito bem dizer: “Só em uma trama de ficção que isso poderia acontecer…” Mesmo assim, é inapropriado dizer que elas estragam a leitura e desapontam (abaixo da seção “Considerações finais” eu expresso minhas concepções a respeito delas para quem já usurfriu do produto do literário). 
 
Dan brown, se perde um pouco na parte final deixando tudo agonizante demais (poderia falar mais sobre isso, contudo, como daria spoiler, reservarei mais detalhes no que concerne ao comentário em questão para a parte do texto devidamente sinalizada e destinada a leitores que já leram a obra ora resenhada). 
 
Considerações finais
Apesar das minhas criticas quando citei os pontos negativos, posso dizer que recomendo o livro para qualquer pessoa que goste de um bom suspense envolvendo teorias da conspiração, uma agência de inteligência dos EUA, ação, narrativa rápida, uma trama cheia de reviravoltas e que ensine um pouco mais o leitor lhe agregando informações de conhecimentos gerais. Nota: 3,7/5,0

SPOILERS A FRENTE!!!!!!!!!!!

  • A cena em que David finalmente encontra o anel, achei um tanto exagerada, além de uma coisa difícil de digerir. Porque, depois da mulher que tinha o anel ter sido grossa com ele, resolveu se aproximar tentando ser gentil assim sem mais nem menos? Também aproveito para registrar que foi um tanto quanto esquisito apenas um dos banheiros (o masculino) estar fechado para limpeza e não os dois.
  • Pra mim, ficou um pouco mal contada a parte em que o Hulohot, um dos vilões da história, fica sozinho (e armado) no banheiro com David e simplesmente não consegue executá-lo deixando ele escapar pela porta.
  • No momento em que é descoberto que o Urânio foi responsável tanto por Hiroshima, quanto Nagasaki, fica claro: é só subtrair U-238 por U-235, mas os personagens complicaram uma coisa simples e só aos 48 do segundo tempo que eles chegam a óbvia solução.

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