Emocionalmente indisponível


De todas as pessoas que conheci, talvez você tenha sido a mais teimosa e estranha. Alguém que insistiu viver dentro de sua concha, se protegendo e tentando proteger os outros.

Talvez a melhor defesa, talvez sua destruição.

Menos de um mês, conversas diárias, um beijo, um único encontro, confissões. Este foi nosso pequeno tempo, que tão rápido se foi.

Admito, me senti magoada e com raiva por determinado tempo. Mas é passado agora.

Você me fez enxergar meu antigo eu. Alguém que costumava se fechar, se isolar, tentando evitar mágoas e decepções. Talvez com você funcione, como você mesmo me disse. Mas comigo, este foi meu maior erro.

Assim como um vulcão, sofri calada e em silêncio por muito tempo. Estive inativa, em stand-by. Mas quando tudo veio a tona, eu fui como um Vesúvio, — não o mais feliz exemplo — destruindo tudo o que via pela frente. Tive, ou melhor, tentei recolher cacos e pedaços pelo caminho de volta, mas fora impossível.

Tudo o que eu via era um rastro de destruição.

Destruição causada por mim.

Pela omissão e negação de meus sentimentos.

Hoje em dia, eu posso lhe dizer que sou alguém emocional. Nem tão instável, muito menos estável. Sou humana e tenho lá meus problemas e pequenas crises.

Alguns já me disseram que sinto demais e que era uma espécie de defeito. Pois bem, eu sou realmente como dizem oito ou oitenta, não sei viver em meio termo e não nasci para sentimentos rasos.

E talvez por isso eu me perca tanto em meio a meus sentimentos, vivendo em meio a meus oceanos.

Mas conviver com isto é puramente simples.

Se você souber mergulhar.

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