Cada pessoa tem em si, todo um universo oculto, inexplorado

O meu é repleto de explosões e colisões entre asteróides

minha existência emocional é baseada em paradoxos.

odeio amar esse sentir exacerbado.
não suporto a oscilação​ entre o estar bem e estar mal. Gosto da rapidez da montanha russa mas o sobe e desce me causa náuseas.

porém, sei bem que a linearidade me causa tédio e ai tento aceitar minha natureza inconstante diariamente.

também tenho uma parcela controladora que fica enfurecida com o descontrole emocional, ansiando em ser uma máquina, sem devaneios, sem surpresas, com rotinas pré estabelecidas e sem erros - queria ser uma galáxia descoberta, conhecida, com sistemas organizados - enquanto também vejo graça na inconstância, no inesperado, no tsunami devastador sem alvos marcados, no transbordar de sentimentos e sensações que ecoam o meu ser. - todo o caos antecedente e presente no big bang me enchem os olhos e o coração, com todas suas cores

Sigo tentando me desvencilhar das inseguranças que me rondam e me perturbam criando histórias que me fazem acreditar que sou tola em achar que aqueles que me cercam se importam, me dizendo que nunca serei suficiente
mesmo tendo plena certeza da minha suficiência, sei que é tolice nutrir todos esses medos constantes em me ver sozinha, pequena, sem importância, sendo que a solidão sempre foi minha companheira e terapeuta, é minha âncora, preciso dela como refúgio da bagunça e do barulho incansável das explosões, para lembrar da vastidão que sou, para colocar meus dois pés no chão, me puxando das nuvens de dúvidas que se formam quase sempre, me colocando a prova da minha própria existência​.

É uma briga eterna. Escassa de sentido

Há​ dias que sou mar em tempestade vestida de lago profundo em calmaria
E dias que sou o silêncio da noite com brilho tímido das estrelas vestida do clarão intenso e quente de um dia de verão 
Ou dias em que sou sol imponente e chuva torrencial que juntos resultam num vívido arco íris
Sou ventania que quer ser brisa e brisa que se faz de ventania, gerando dias que sou furacão, girando e destruindo tudo a minha volta sem ver.
Há dias em que queria ser apenas rocha, forte, monumental, que não se move, que só sofre intemperismo gradual até se espalhar pelo território ao redor. Eu quero preencher e ficar. Mas meus sentimentos, guiados por medos, me fazem volúvel, me deixam vagando no espaço sendo puxada por qualquer onda gravitacional existente, a mercê das chuvas de meteoros, dos buracos negros, das colisões, me tornam vulnerável a qualquer poeira estelar. sem ninguém além de mim para me salvar da minha própria existência.

As incertezas me causam um frio na barriga e um medo eterno - daqueles que sentimos em filmes de suspense, onde qualquer barulho mais alto aumenta nossa frequência cardíaca e nos faz dar um pequeno pulo - enquanto as certezas me trazem conforto e incômodo de pensar numa vida traçada em linha reta com caminho e final estabelecidos - como aqueles filmes de romance clichês que todo mundo sabe o começo o meio e o final, mas mesmo assim assistimos, e gostamos, até o fim - eu gosto de ambos os gêneros. Eu vejo beleza em tudo. Na calmaria de um universo descoberto e organizado, e no caos de um universo inexplorado. E isso também me incomoda às vezes.

Minhas maiores batalha são contra a mim mesma. E todas me fazem cada dia mais forte. A minha luta é para descobrir e habitar cada lua, cada planeta, cada sistema que tenho em mim.

Vivemos buscando entender qual o sentido da vida e talvez, a busca do auto conhecimento, auto crescimento, auto aceitação sejam as respostas. 
Talvez a fórmula para mudar o mundo esteja escondida dentro de nós mesmos. De nossas galáxias.
Todos somos compostos pela mesma base de matéria orgânica. O ciclo vital é constante. Em eternos finais e recomeços.

Eu recomeço todos os dias. Enfrento batalhas comigo e com o mundo todos os dias. E todos os dias chego a querer desistir por não sentir mais forças.

Mas eu n ã o desisti da batalha interna

Ainda.

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