Uma reflexão sobre a mídia impressa no Brasil

Cora Zordan

A História é importante para a Comunicação assim como a Comunicação é importante para a História. Citamos, como exemplo, as revistas. Muito antes de se tornar um veículo de publicação com assuntos diversos e segmentação de um público alvo, esse material já teve “jeito de livro” e abordava temas como literatura, autores clássicos, acontecimentos históricos, informações de cunho acadêmico, costumes sociais e algumas chegavam a ter em torno de 64 páginas.

As revistas chegaram ao Brasil junto com a corte portuguesa, com a instalação da imprensa régia, quando foi impresso o primeiro jornal do período colonial.Uma das primeiras revistas, “As Variedades”, surgiu em Salvador. A revista passou por um processo de se desvincular da cultura portuguesa e começou a divulgar autores e temas nacionais, como foi o caso de O Patriota, lançado no Rio de Janeiro. A proposta Editorial abrangeu vários campos do conhecimento humano.

Um grande marco para a história das revistas, foi em 1827 quando surgiu a primeira revista feminina “Espelho de Diamantino”que tratava temas sobre literatura, artes, teatro, política, moda etc. Foi a partir daí que se adotou uma linguagem mais didática. Na mesma linha, havia a revista Galantes, mas voltada para o público masculino e seus interesses inclusive sendo a pioneira no uso de fotos eróticas.

Todas as revistas tiveram um período de duração muito curto por falta de recursos e assinantes. E só começaram a se tornar ilustradas em 1837, com a revista “O Museu Universal”. Foi quando as revistas perceberam que imagens, fotos e ilustrações agradavam ao público. As primeiras fotos de que se tem registro foram publicadas na Semana Ilustrada, que foi uma revista que teve registros de cenas da Guerra do Paraguai. Para atender ao público algumas revistas, como a Revista da Semana, passaram a reproduzir fotos de acontecimentos e crimes em estúdio, o que promove o debate de manipulação das imagens.

Em 1928,o jornalista Chateaubriand lança O Cruzeiro, que ganha muita popularidade e buscou atingir todo o território nacional e a América Latina. A revista apresentava matérias jornalísticas com acontecimentos sobre o Brasil e o mundo. Ganhou destaque por sua diagramação, suas fotos, suas resenhas sobre noticiário e por possuir uma diversidade de assuntos que conseguiu alcançar a todos os públicos e atingir todas as classes. Entre 1940 a 1950 O Cruzeiro atingiu seu ápice com um espaço publicitário disputadíssimo por anunciantes.

Nessa época surge o seu principal concorrente, Diretrizes, que tinha credibilidade por sua imprensa influente. A revista era embasada na política e no período do Estado Novo. Nesse cenário houve atrito entre a redação e o DIP e a ideia liberdade de expressão passou a se fortalecer. Diretrizes e O cruzeiro foram as grandes publicações que implementaram a grande reportagem.

Depois disso, vieram muitas outras. Havia a revista Manchete que trabalhou e amadureceu técnicas de entrevista, mas foi questionada que seria um veículo mas geral de comunicação do que propriamente um veículo jornalístico. Essa revista começou a ser menos informativa e apresentava assuntos amenos para satisfazer a curiosidade do público.

O texto também fala muito bem da revista Realidade, de 1996 que falava sobre política e assuntos de interesse geral. Foi a revista que mais se inspirou no new journalism dos EUA e era mas alternativa, tendo como base a reportagem social e na crítica da moral e dos costumes.

Em 1968 surge a primeira Veja, que, mesmo enfrentando diversas dificuldades, conseguiu se sustentar e hoje tem a sua importância. Em seguida vieram ainda a IstoÉ e Época, marcando o ingresso da Globo no mercado editorial brasileiro.

É engraçado se ater ao fato de que a sensação da revista estar com os dias contados, não é um pensamento recente. Se hoje se pensa que a internet vai tirar o espaço do jornalismo impresso, naquela época se pensava que a TV iria ocupar esse lugar, já que as imagens de TV transmitiram com muito mais agilidade.

Mesmo concorrendo com a TV as revistas se destacaram, principalmente com as mulheres, com a criação de fotonovelas. O mercado de revistas femininas, principalmente nas áreas ligadas à moda se fortaleceram, com Cláudia, Manequim e Amiga. A revista Capricho ficou marcada como a primeira revista que teve os jovens como público alvo. Mesmo assim, essas revistas eram escritas e pensadas por homens! Traziam novidades da moda da Europa, dicas de culinária humor. Tudo muito leve.

A revista, assim como tudo na história, acompanha a transformação sociocultural. Nos anos 80 ganhou força a segmentação de público e de temas. Há uma valorização das personas, a valorização da identidade do leitor e encontrar um perfil de consumidor.

Algumas revistas são consideradas jornalismo puro, entretanto, as revistas em função do que exige o mercado e seu público leitor, firmaram espaço para assuntos relacionados a moda e comportamento. Enquanto o jornalismo busca ser o espelho da realidade, a revista busca ser um espelho da sociedade e sua credibilidade, além de seu conteúdo, está na força da linguagem visual.

A revista é uma mídia que se articula de acordo com o interesse público da mesma forma que se fala de um Novo Jornalismo que também tem que se adaptar a uma fábrica de produzir notícias, adquirindo perfil mais empresarial e moderno e transformar a informação em seu produto e a trabalhar com textos mas objetivos. Enquanto o jornal busca a rapidez e o furo, é de bom tom que a revista traga reportagens bem apuradas e com maior aprofundamento, refletindo sobre temas atemporais, que moldam a nossa História.

Nossa missão como jornalistas é, portanto, se informar para informar.

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