Maria
Maria
Aug 24, 2017 · 3 min read

Perdemos algo no caminho, não sei se meu ou seu, não sei de nós dois; mas já me fez falta. A sintonia de quando não foi necessário explicar tanto, insistir tanto, sentir tanto essa sensação de estar perdido a dois e, mesmo assim, sozinho; esse aperto depois de um mal entendido, a indiferença deixada pelo cansaço de querer dar o melhor.

Nos largamos sem nos largar, o plano que fizemos para amanhã foi junto. A gente desistiu, e há dois anos nos falamos com menos frequência. Eu tenho orgulho de não nos desviarmos e fingir que nem nos conhecemos. Nenhum deixou de fazer questão primeiro.

A gente acabou sim, e eu vou te querer bem amanhã ou daqui a cinco minutos.

Nós definimos prioridade, concordamos, depois de tantas coisas acho que não é só amor que a gente tem a dar ou talvez o resto tenha se perdido a cada tombo que levamos.

É, talvez sejamos só amor, só o desejo de ser sempre assim e a certeza de que está bem longe do fim. Seguir em frente foi só um jeito de nos perder. Nos reencontrar. Viver.

A vida é fingir estar vivo e depois morrer.

Apaga-se uma pessoa da pele, mas a memória fica, e ela sobrepõe ao toque. Todas as nossas experiências são eternas no fim das contas. Sejam maturadas no nosso DNA e repassadas ou costuradas ao que sentimos. A memória é uma pele que é incapaz de ser substituída. Quero que você se reencontre com si mesmo e tenha mais calma e solicitude com si próprio.

Quando te encontrei, vi coisas bonitas que nem mesmo você via.

A graça do carinho, penso, é saber olhar com olhos muito calmos para a pessoa amada e enxergar, ali, um curso, um destino, uma vontade de continuar. Em tu, eu via o rio Amazonas inteiro. Eu sei que, por vezes, tu olha para dentro e não encontra nadinha, mas eu encontrava e quero que, hoje, você encontre também.

E, por fim, eu te desejo honestidade, mas não do jeito que tu pensas. Eu quero primeiro que tu sejas honesto consigo.

Quero que tu sejas honesto a ponto de se permitir ser quem tu és sem medo das tuas falhas. Honesto quando pensar na ideia de se expor mais ao mundo.

Eu quero que tu sejas honesto com o teu corpo e o olhe com mais mansidão e carinho (mesmo que no começo você apenas finja) até enxergar que nenhum abrigo vai te confortar melhor que o seu próprio. Honesto com todas aquelas tuas imperfeições que tu abominas a ponto de aceitá-las como uma característica única tua até que se torne algo menos doloroso de se conviver.

Honesto com todas as tuas muitas inseguranças a ponto de tocá-las com mais paciência até conseguires se habituar de forma que elas não te façam mais sentir pavor de se expor a alguém.

Honesto com todas tuas dores e teus medos e receios até compreender que tu podes descobrir com eles a hora de ser corajoso a ponto de enfrentá-los. E eu sei que a vida anda difícil e que absorver cada falha, cada medo e cada dor exigirá de você um processo demorado de esforço. Mas eu sei também que é possível tentar, e quero que você tente, por amor e honestidade a você.

Eu quero que a tua honestidade seja, antes de mim, antes de tudo, tua.

Eu quero que tu sejas honesto com tudo que viveu, vive e quer viver. Tudo que te faz inteiro nesse espaço até tu se convencer de que morar no próprio corpo e se sentir confortável nele é importante pra que termines os dias

íntegro e salvo.

Até você se convencer de que tudo isso que dói agora pode se tornar algo bom, porque eu te garanto, pode mesmo e vale qualquer esforço.

Eu quero olhar pra você e ver nos seus olhos a honestidade de alguém que anda tentando abraçar o próprio ser cheio de falhas e aceitar que falhas são humanas, e que tu és isso, humano. Até não ter medo de ser.

Eu quero a tua honestidade, mas não do jeito que tu pensas, eu quero que tu sejas honesto, antes de tudo, contigo mesmo.

Tem muito de tu aqui, sempre vai ter.

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