Amizades

Nada parece realmente mudar, pessoas aparecem ao longo da minha vida, algumas ficam por mais tempo, mas no final elas sempre vão embora. Não, eu é que faço elas irem embora. As pessoas que fazem parte da minha vida nesse momento possuem nomes e características diferentes dos meu amigos de cindo ou dez anos atrás, mas para mim são todos iguais.

Cada amizade nova que faço é apenas para preencher o buraco deixado por alguém que já se foi, sai um e entra outro para cumprir a mesma função. Para mim é tudo muito natural, funciona como um ciclo que tem seu ínicio e seu fim.

Por se tratar de um ciclo é fácil reconhecer quando está do perto do fim, é sempre a mesma repetição de acontecimentos e sensações: meu espaço começa a ser invadido, minha adorada solidão começa a ser preenchida, medo do apego, medo de começar a me importar com os sentimentos alheios. È nessa hora que o ciclo chega ao fim.

A pior parte de todo esse ciclo é a fuga, o celular não para de tocar, as mensagens que eu não respondo, fingir que não tem ninguém em casa. Eu sumo, desapareço.

Até que em determinado momento eu tenho meu espaço e minha adorada solidão de volta.

Esse é o ciclo e as pessoas sempre vão embora. Não, eu é que faço elas irem embora.