Como o título de Portugal me reposicionou na vida

12 anos atrás, sentei-me no sofá da sala, ao lado de meu pai, uma peleja estava por começar. Mas, como eu era muito jovem, não entendia muito bem do que se tratava, era uma cobertura da Tv Record, e isso me soou bem estranho.

Perguntei ao meu pai :

Qual jogo vai começar?

Portugal x Grécia, final da Eurocopa

Eurocopa??? O que é isso?

É tipo uma Copa América, aquela que o Ronaldinho ganhou pro Brasil há anos, mas entre países da europa

Aaah, aquela que o Brasil venceu a Alemanha?

Meu pai ficou irritado e disse que iria prestar atenção no começo do jogo, me deixou sem saber que diabos era uma Eurocopa. Lá pelas tantas, o narrador diz “Cristiano Ronaldo” pensei que um jogador chamado “Cristiano” tivesse tocado a bola pra um “Ronaldo”, logo pensei que o carequinha do Brasil estivesse jogando por Portugal, já que Felipão estava no banco da seleção lusa.

Fiz uma observação relativa a isso, meu pai me rechaçou “É claro que não é o Ronaldo brasileiro”, já era tarde, eu estava torcendo pra seleção portuguesa, porque tinha um Ronaldo lá, assim como na canarinho. Fiquei um pouco assustado com o jeito que aquele garoto corria, com aqueles movimentos estranhos da pedalada, com visual diferente dos outros 21 jogadores em campo.

A Grécia venceu a tal da Eurocopa, só fui perceber o tamanho de tal competição quando a câmera focava aquele garoto xará do fenômeno, ele se debulhava em lágrimas sofridas, como nunca antes eu havia visto, em minha curta trajetória como fã de futebol.

10 de junho de 2016, eu estou no sofá da minha casa, agora quem explica o que é uma eurocopa sou eu. Portugal não é mais anfitrião, e sim, a visita. Ronaldo ainda é estranho aos meus olhos.

Reprodução : Indian Express

Quando CR7 cai no gramado logo me vem : Ronaldo, o fenômeno, em 98. Ronaldo, o Cristiano, em 16. Mesmo adversário, mesmo estádio. Referências técnicas de suas equipes, porém impossibilitados fisicamente de ajuda-las. O que minha mente infantil disse há 12 anos finalmente fez sentido. O Ronaldo luso nunca foi tão Ronaldo da colônia — Exceto por serem apostas de Felipão, um no começo de carreira, e outro no recomeço — Estaria Portugal diante de um sacode por 3–0?

O destino fez-me acreditar que isso aconteceria. Zidane, consagrado mundialmente no mesmo Saint-Denis, costumava dar um drible chamando Roleta. E foi isso que o destino fez com minha pretensão de conhecê-lo. A França perdeu. Cristiano Ronaldo até chorou, mas era pelo extremo oposto á tristeza de 2004. E meu pai me perguntou : — “Tal do Eder não era Itália?”

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