Copa do Mundo, Olimpíadas e a Política.

No dia 30 de Junho de 2007, o Brasil foi escolhido como sede da Copa do Mundo de 2014, começava ali um ciclo de ansiedade, prorrogada pela escolha do Rio como sede das Olimpíadas de 2016, no ano de 2009.

Tais eventos, nunca foram tão irmãos quanto na sua fase brasileira, uma ansiedade colou na outra, e ao mesmo tempo anestesiavam-se. Faltam sete anos pras Olimpíadas, mas faltam só cinco pra Copa, faltam cinco anos pras Olimpíadas, mas faltam só três anos pra Copa. E assim por diante. Em 2010 teve Copa do Mundo, pensávamos : é última Copa antes da nossa. Em 2012 teve Olimpíadas em Londres, pensávamos : é a última Olimpíadas antes da nossa, mas já dividindo atenção com os míseros 2 anos pra Copa. A espera estava chegando ao fim.

E como todo ansioso, quanto mais perto do objeto de ansiedade, mas se faz merda, tipo uma dieta, quando você está perto de chegar no peso ideal, vem aquela pizza com refrigerante. Em 2013 teve Copa das Confederações, a seleção ergueu a taça, contra a maior geração espanhola da história, e começamos a acreditar que além de sede, poderíamos vencer a Copa.

Como não existe evento teste pras Olimpíadas, os brasileiros resolveram crar um, que ajudou a passar o tempo em 2015, veio o tal impeachment, e tinha gente esperando por ele desde janeiro de 2003, tão iludidos quanto os que acharam que poderíamos vencer a Copa, foram os que acharam que poderiam vencer a corrupção, tendo corrupto no elenco. Lá vem eles de novo…é o golpe na democracia. Dói mais que o gol não comemorado por Tony Kroos, naquele total desprezo. Embora, neste caso, parte da torcida tenha comemorado por ser humilhada.

O evento teste pras olimpíadas foi um sucesso, todos os recordes de cara de pau foram quebrados, tanto na modalidade rua, quanto na modalidade parlamento, além claro da ginástica intelectual, inventaram um novo movimento, chamado golpe sem arma, mas com direito de defesa, mas não sabemos ainda quem venceu, porque os juízes disseram não que vão entrar no mérito. Fala sério, se for só pra avaliar o rito, seria melhor colocar um padre no lugar. Ficou difícil avaliar quem merece o ouro, mas não faz diferença, entreguistas que são, em muito pouco tempo, o ouro estará no peito de uma multinacional.

Vivemos todo esse ciclo, foram nove anos, e no dia 22 de Agosto de 2016, não existira mais ansiedade nenhuma. Serão apenas vibrações no ar. Voltaremos a ser, nesse quesito, o mesmo país que anoiteceu em 29 de Outubro de 2007, sem nenhuma mega evento esportivo no radar, muito menos em dose dupla, como vivemos, e só nossa geração poderá dizer isso, talvez em todo mundo. Daqui pra frente, só teremos desafio mundial de peteca, ao vivo nos Esporte Espetacular.

Eu não lembro mais como era viver naquela época, talvez estivéssemos respondendo scraps no orkut ao som de Hey There Delilah, outros talvez no MSN, com Umbrella, enquanto o Lula estava preso a um insônia, em uma cama de hotel, na Dinamarca. País que enfrentamos na Copa de 98, e tivemos única pedalada condenada na história da nova república, obviamente, antes de Dilma. Talvez o próximo golpe seja contra um presidente que levantou a meia na hora do cruzamento.

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