tenho achado mais complexo que o normal esconder minha a ansiedade o tempo todo.
sinto o tempo inteiro que vou explodir. minha cabeça vai pegar fogo ou qualquer um desses exageros de desenho animado que demonstram muito como ta aqui dentro. talvez não seja tão exagero.
respirar fundo e segurar o choro é a parte mais fácil. faço isso a tanto tempo que entrei no automático. mas eu ainda sinto.
meu coração ainda palpita. eu ainda fico enjoada e com as mãos (mais) geladas. minha respiração ainda falha. eu ainda to desesperada. mas eu tenho vergonha.
tenho vergonha de falar pras pessoas a minha volta que eu to nervosa e não sei porque. que eu acordei com vontade de gritar até tudo o que eu sinto o tempo inteiro passar. que eu to cansada mesmo sem ter direito algum sobre essa palavra já que eu não faço nada. que eu to ansiosa simplesmente porque de alguns anos pra cá isso faz parte de mim e que quando eu finjo que não sinto isso todo dia, eu implodo. mordo os meus lábios, dentro das minhas bochechas, rôo unha até sangrar, tiro cutícula no dente. arranco os pelos do meu queixo até machucar e choro como um bebê em qualquer oportunidade que eu tenha que ficar sozinha. eu implodo todo dia. e tenho vergonha até de quem eu sei que entenderia. tenho vergonha até de mim, de me olhar no espelho e ver estampado na minha cara o desespero com várias coisas de vários tamanhos e que na maioria das vezes eu não tenho como mudar.
implodir faz muita bagunça aqui dentro.
implodir todo dia não me dá tempo de arrumar a bagunça do dia anterior.
a palavra que define é caos.
estela
