descobri que a shonda rhymes escreveu o roteiro de crossroads: amigas para sempre, sim, aquele filme meio água com açúcar que tem como estrela principal a ex-diva teen britney spears. ai ela fez diário de uma princesa 2 e depois voltou-se para seriados. criou grey’s anatomy e scandal e produziu how to get away with murder. ela é foda. tava no final da primeira temporada de grey’s anatomy, mais precisamente no episódio oito, quando recebi uma mensagem no hornet.
um cara disse “oi”. muitos caras me dizem “oi’ nesses aplicativos o que não necessariamente significa que eu tenha conversas longas e interessantes com eles, muito menos que essa conversa nos leve a algum lugar. mas dessa vez eu senti firmeza. ele falou “oi” e eu respondi. é o básico. é o que se faz no começo das conversas. é um dos maiores clichês do mundo quando se trata de diálogos, mas é assim que as coisas funcionam. elas começam com um “oi”. o que foi surreal é que justamente quando recebi esse “oi” eu tinha pausado o episódio para me masturbar. tinha entrado no xvideos e procurava alguma coisa que me agradasse. esse “oi” veio no momento certo.
ele disse que estávamos uns 300 metros de distância. ai eu falei “porra, tamo perto pra caralho”. mas não disse “caralho” assim tudo de uma vez, eu separei bem as sílabas, pra mostrar como eu estava surpreso: CA-RA-LHO. “quer sair?” ele me perguntou. eu disse “ok, te espero na praça perto da rodoviária”. eu pensei comigo mesmo “vou esperar 10 minutos, se ele não aparecer vou voltar pra casa e ficar no meu quarto escuro me sentindo mal comigo mesmo”.
ele chegou, andamos de carro por aí, até encontrar um lugar sossegado. ai estacionamos e nos beijamos. ele é o tipo de cara branco e com barba, classe média alta, que parece uma versão mais nova do karl marx. beijava bem, o problema é que tinha pouca boca. tentei morder seus lábios, o que de modo algum era possível. paramos o carro numa estrada de terra num bairro afastado da cidade. quando um de nós tava chupando o outro um cara de moto apontou no fim da estrada. (sim, era eu que tava chupando ele. isso aqui é bem patético e constrangedor, mas isso é a vida, porque a vida é patética e constrangedora, então se eu quero ser um bom escritor eu preciso ir fundo nas coisas patéticas e constrangedoras. ou simplesmente devo parar de escrever).
ai ele falou “tem um cara vindo”, em vez de eu abaixar e ficar encolhido até o cara passar, eu levantei, sim, caros amigos, eu levantei. bem na hora que o motoqueiro tava passando perto do carro onde estávamos. ele olhou bem no fundo dos meus olhos por longos três segundos. tudo estava em slowmotion. ele passou mas ficou meio que olhando pra trás pra ver quem estava fodendo num carro estacionado no meio da rua em plena luz do dia. a propósito, eram três da tarde. logo depois ele sumiu da minha visão.
“melhor sairmos daqui” falei. encontramos outro ponto numa rua de terra embaixo de umas árvores. ele não se depilava, o que me agrada, não que eu odeie quem se depila, eu curto homens depilados ou não. e tenho a plena consciência que não se depilar não tem nada a ver com falta de higiene e sim com preferencia estética. porque higiene tem a ver com limpeza e é possível ser peludo e limpo.
infelizmente chegou uma caminhonete e tivemos que andar mais uns 3 quilômetros com o carro num bairro longe pra inferno, a estrada cheia de pó, no meio da zona rural, pra encontrar um lugar. estacionamos o carro ao lado de uma chácara, pulamos uma cerca de arame farpado e nos aventuramos no meio do mato. encontramos um esconderijo, fechado por uma pequena área de vegetação. foi ali que rolou. o cara era meio masoquista, saca? ele curtia uns tapas e eu sou totalmente de boa quanto a isso, desde que estejamos utilizando o equipamento adequado.
sim, ás vezes o tesão faz a gente fazer coisas estupidas. eu tava topando tudo porque eu vi aquele filme com o jim carrey onde ele é proibido de dizer “não”. podia apenas dizer “sim”, pra vida, para as aventuras e era isso que eu tava tentando fazer, cara, eu tava em casa entediado, sozinho e tristonho, minutos antes e do nada tinha me surgido essa oportunidade de fazer algo que não costumo fazer: sexo. eu precisava aproveitar. no livro da tina fey (pra quem não sabe ela é a roteirista de meninas malvadas e criadora de séries como 30 rock e unbreakable) ela diz que a primeira regra no teatro da improvisação é concordar. é dizer “sim”. claro que tu não vai sair dizendo “sim” pra tudo indiscriminadamente, você precisa analisar, mas o importante é manter a mente aberta. era isso que eu tava fazendo, estava mantendo a porra da mente aberta.
é muito complicado essa coisa de sair com estranhos, você pode acabar morto ou desaparecido ou preso em um porão por dez anos. já aconteceu e pode acontecer novamente. ter fetiche em transar com desconhecidos é perigoso e não é aconselhável e obviamente não é o certo a se fazer. infelizmente eu tô numa fase da minha vida que só sinto atração pela pessoa enquanto não a conheço, logo que começo a descobrir alguns detalhes da sua vida já perco o interesse.
e foi assim, senhoras e senhores, que tivemos nossa aventura na natureza selvagem ou sexo rural ou chame como quiser chamar.