Lembro de quando precisei fazer a segunda via do meu histórico escolar. Às vezes precisamos de recursos tão complexos para comprovar que fizemos coisas tão simples na nossa vida. São tantos documentos, papéis, carimbos, procedimentos, números e bancos de dados para catalogar as pessoas e o que elas fazem, só pra pegarem elas no ato quando estiverem mentindo.

Alguém precisa ficar de olho nisso tudo, eu sei, e esse alguém precisa de ajuda de outros alguéns. Daí a coisa foi indo, até onde a gente chegou hoje. Meio que uma versão light do Grande Irmão.

Queria que a humanidade evoluísse até o ponto em que, para provar que você concluiu o ensino médio por exemplo, precisássemos apenas de um papel A3 com a inscrição CONCLUÍ O ENSINO MÉDIO, e a nossa assinatura.

A palavra de um homem ou mulher deveria ser a sua garantia, não?

Pra não ficar tão fácil, poderíamos incluir como exigência do papel — doravante um documento — incluir uma gota de sangue da pessoa ou algo assim.

Provado o contrário do que a pessoa escreveu no A3, obviamente viriam as consequências legais: prisão, multa e tudo o mais. Só que o mais grave seria que nenhum outro A3 que viesse dessa pessoa seria aceito de novo.

Claro que, em estado atual, nossa sociedade nunca suportaria tal mudança. A ideia de um Poupatempo pessoal e intransferível causaria, num primeiro momento, numa enxurrada de mentiras e desconfiança, tentativas de fraudes e falsificações de toda a sorte.

Mais ou menos como são as coisas agora.