A educação no centro da disputa do nosso futuro

Nas últimas semanas os jornais noticiaram um levante estudantil na Colômbia em defesa da educação pública. Somado ao debate do nefasto e hipócrita projeto “Escola sem Partido” e à indicação ao Ministério da Educação, no Brasil, do filósofo conservador colombiano Ricardo Veléz Rodriguez, esses eventos mostram a centralidade da educação na disputa do nosso futuro.

A eleição de governos de direita na América Latina, em especial na Colômbia, com o impopular Iván Duque, e no Brasil, com Jair Bolsonaro, mostrou que o debate sobre a educação se dará fundamentalmente como uma disputa também ideológica entre o autoritarismo e a democratização. O projeto desses governos envolve a privatização da educação e aposta em uma política pedagógica de perseguição ao pensamento crítico, de alienação e mercantilização do ensino.

No Brasil, a indicação de Ricardo Veléz como ministro da educação, para agradar a bancada evangélica, mostra que o bolsonarismo já apresenta a vontade de impedir o livre pensamento e a livre docência. O futuro ministro, em sua primeira declaração após a indicação, disse que fará uma gestão que “pretende preservar os valores tradicionais e conservadores”. Essa indicação põe em risco não apenas a formação dos jovens brasileiros, acrescida do fortalecimento do “Escola sem Partido” nas cidades, como também põe em risco a autonomia universitária, princípio democrático fundamental no desenvolvimento da ciência, e a pluralidade de ideias no ambiente de formação.

Veléz representa uma educação dogmática, carregada de valores morais autoritários, fundamentados em teorias da conspiração criadas por seus influenciadores, como é o caso do astrólogo Olavo de Carvalho. É o representante legítimo de um obscurantismo que pode levar a educação brasileira a um retrocesso que atingirá gerações.

Na Colômbia, a política de ajuste fiscal do governo de Iván Duque já atinge as despesas operacionais das universidades públicas, e seus ataques ao caráter gratuito do ensino superior no país colocam a educação no centro da crise de uma governo com 65% de reprovação. A luta dos estudantes, que já paralisou mais de 30 universidades colombianas, em defesa da universidade pública e gratuita, apresenta a juventude como a inimiga número um de um governo que privilegia os ricos.

Os projetos de educação da direita latino-americana revelam seus projetos de país. Sem dúvidas, a disputa por uma educação livre, democrática, pública e gratuita ganha uma centralidade na disputa ideológica pelo nosso futuro, por um projeto de soberania popular. No Brasil, por exemplo, a defesa da taxação das grandes fortunas e da democratização do acesso como alternativa à elitização e cobrança de mensalidades nas universidades públicas fará o embate direto contra um projeto de país baseado nas privatizações e no entreguismo.

A palavra de ordem dos estudantes colombianos deixa o recado de que essa geração terá uma responsabilidade muito grande no próximo período: impedir que destruam a educação pública. Nossa geração é a que fará a disputa da educação pública e democrática contra a barbárie. Desde o Brasil, nos solidarizamos com os irmãos colombianos na luta pelo nosso futuro.

Felipe Simoni é estudante de Geografia da USP e do Grupo de Trabalho Nacional do Juntos.