Foto: equipe David Miranda.

Marielle, vive!

No Rio de Janeiro, no Brasil e no mundo: a voz de Marielle ecoa alto nos ouvidos de quem a matou: "Teremos justiça".

Ontem (20), foram milhares nas ruas de todo o mundo. No Brasil, pelo menos 10 cidades foram registradas em movimento por JUSTIÇA por Marielle e Anderson.

Foto: equipe David Miranda. Rio de Janeiro.

No Rio de Janeiro, cidade de Marielle, cria da Maré, o ato que saiu da Igreja da Candelária, simbólica por marcar o triste episódio em que 8 meninos negros em situação de rua foram duramente assassinados pela Polícia Militar, tomou a Avenida Rio de Branco.

Os movimentos sociais chegaram a renomear as placas da Avenida para “Rua Marielle Franco”. Histórico.

foto: Mayara Donária. Rio de Janeiro.

A favela, lugar de orgulho de Marielle, estava em peso no centro do Rio de Janeiro! Em frente à Câmara Municipal dos Vereadores, na Cinelândia, mais de três minutos ininterruptos de um forte: "Marielle, presente" — foi puxado apenas pelas favelas.

Foto: equipe David Miranda. Rio de Janeiro.

Complexo da Maré — e suas 14 comunidades, Complexo do Alemão, Rocinha, Jacarézinho, Manguinhos, Padre Miguel, Acarí e Mangueira foram apenas algumas das tantas que estavam presentes.

Em uníssono, o palco de homenagem à Marielle e todo o ato pediram por justiça: "QUEREMOS SABER QUEM MATOU MARIELLE!". Este foi o tom de todas as falas do ato inter-religioso que teve como eixo o fim do assassinato das mulheres, dos pretos, dos pobres, dos favelados e dos LGBTs.

Porto Alegre

Ao redor do Brasil, São Paulo, Distrito Federal, Belo Horizonte, Belém, Natal, Ribeirão Preto, Ponta Grossa, Vitória, Manaus e Uberlândia foram algumas das cidades com fortes atos.

Foto: Matheus Carvalho. Brasília

A voz de Marielle ecoa por todo o mundo. As lutas e as lágrimas dos que choram a morte de uma lutadora como Marielle movem estruturas. O sonho por um país e um mundo em que a desigualdade social não seja a regra está mais vivo do que nunca.

O medo e a raiva que tomaram as ruas no dia do brutal assassinato da vereadora do PSOL reacenderam o desejo e a força de um futuro com justiça social e solidariedade que ainda não nasceu, mas que está sendo forjado pelas nossas mãos.

Foto: Matheus Carvalho. Brasília

Marielle era mulher, preta, favelada e LGBT. Ela carrega consigo todas as formas de opressão que sustentam a estrutura deste sistema podre e envelhecido. Marielle representa o novo, a nova forma de fazer política.

Foto: Thalles Sales. Belo Horizonte

Marielle - em todos nós- representa o sonho antigo de várias gerações que lutaram antes de nós contra o machismo, o racismo e a LGBTfobia. "Eu sou porque nós somos": este era o nome de sua campanha. Somos o que somos porque temos história. Por Marielle e por tantos outros que morreram pelo sonho de um mundo melhor: teremos justiça!

Belém.

São Paulo

Em São Paulo, o dia começou com o gigantesco ato dos servidores municipais, que estão em uma forte greve contra a reforma da previdência de João Doria, que quer confiscar o salário dos funcionários públicos da cidade. A mobilização dos professores vêm crescendo desde a manifestação na Câmara na última quarta (14), que foi duramente reprimida pela Guarda Civil e pela Polícia Militar, mostrando o velho método agressivo dos tucanos contra os trabalhadores.

Mesmo em baixo de uma das mais fortes tempestades do ano na cidade, o vão do MASP lotou na noite de ontem (20), com a força dos servidores, do movimento negro e da juventude e artistas para gritar por justiça para Marielle e Anderson e contra o genocídio do povo negro. A manifestação em homenagem à Marielle teve amplo apoio da população que passava na Avenida Paulista e também gritava que Marielle estava presente hoje e sempre.

Nosso sonho permanece. Nossas lágrimas e nossas lutas vão mover estruturas.