O bar já era.

Risadas de alegria, a roupa mais bonita que se tem limpa no armário, um pouco de perfume mas nem tanto, dentes bem escovados, e nesse clima todos se encontram numa rua central de alguma metrópole, e rumam para o bar da noite, com alguma musica pop, techno ou house tocando no fundo, pessoas felizes em um clima de pegação e confraternização, e assim a sexta a noite se inicia, regada a álcool, e com esse inicio de noite que se repete diariamente em alguma metrópole, o bar morre.
Na sua cidade seja ela São Paulo, Aracaju ou Londres, qual foi a ultima vez que se sentou em um bar triste, balcão de botequim, garrafas a mostra, musica bem baixa ou musica alguma, esse clima de bar, o que deveria ser o bar é raro isso quando achado, a idéia de afogar as magoas foi por água abaixo, e a diversão toma conta onde antes era um ambiente para degeneração e restauração, esse clima de festa, cerveja ruim e drinks com vodka e suco, matou a coquetelaria clássica, matou o gesto, a gourmetização das tradições, e toda essa onda “good vibes” só trazem o que tem de pior em uma noite de sexta-feira, felicidade.
E nesse clima melancólico, onde vejo os centros morrendo por culpa da felicidade, pego meu negroni e termino mais uma noite sozinho e minha própria jaula, por que viver em um mundo de sorrisos falsos, prefiro viver em mundo algum.
