LXII. Sociação

Quando Simmel escreveu sobre sociedade resultante de interações psíquicas abstratas, histórica e culturalmente enraizadas e trouxe esse conceito para uma reflexão dos conflitos que ocorrem na sociedade quantificável e observável entre grupos que convivem em uma mesma sociedade macro por gerações e ainda assim jamais compartilham o mesmo estado de pertencerem a uma mesma e unificada sociedade pela falta de “sociação”, a atemporalidade desse tratado científico não apenas estabeleceu grande parte das ferramentas utilizadas para estudar alguns dos fenômenos atinentes à condição do estrangeiro e do imigrante, como, em menor escala e de maneira mais curiosa e contemporânea, a determinados nichos de indivíduos inadaptáveis cuja microssociedade convive —tendo certa propriedade conflituosa, ora empurrando de ombros, ora empurrados — com a sociedade maior da qual teoricamente faz parte, fases imiscíveis que fingem ser solução e desfilam sobre a bancada do laboratório quando se misturam apenas sob determinadas circunstâncias não naturais, como aumento de temperatura ou de pressão. Como é terrível depender de condições adversas para obter temporariamente uma condição de equilíbrio químico! Não é de se admirar o alto grau de entropia social observável, infelizmente não apenas abstrata.

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