Esquerdismo: doença infantil do comunismo

Ou Porquê Necessitamos de Uma Esquerda Unificada.

É incrível como a história se repete. Embora frequentemente eu pense que ela não se repete e que somos nós os seres humanos que temos está horrível mania de encontrar figuras conhecidas em nuvens ou rostos na superfície de planetas vizinhos. De qualquer modo, gosto de conviver com esta dualidade mental pois acredito que ela possibilita que eu veja além dos filtros que me são impostos pelo meio que vivo, educação que tive e opiniões ao meu redor. Desta maneira, acredito que posso teorizar e literalmente viajar em loucas teorias pouco relacionadas com a realidade.

Uma teoria maluca que tenho é a de que nossa democracia infante se encontra em estágio semelhante à da Russia nos meados da revolução bolchevique. Maluquice? Explico. Nossos dias, que em breve abalarão o mundo, consistem de um cenário congestionado de partidos políticos com ideologias extremamente correlatas: os mais radicais, os sociais democratas, os bolcheviques* e uma pequena e pouco significante direita. Assinalo os bolcheviques pois explicarei adiante o porquê de eu considerar o PT a nossa versão do partido bolchevique. Para começo de conversa, acho importante dar nome aos bois e assim tornar essa teoria algo um pouco mais claro.

Primeiramente, temos os sociais democratas. Os coxinhas do Brasil são muito melhores que os coxinhas de outras grandes democracias. Caras do PSDB, oposição ao governo socialista em situação, são favoráveis à políticas de redistribuição de renda como o bolsa família. Isto é ser de direita? Penso que não.

Entre a “direita da esquerda” e a esquerda com poder (PT), temos uma dúzia de partidos trabalhistas que para sobreviver se aliam com poderosos setores da burguesia. Pleiteiam ideias ditas de esquerda sempre que possível, mas muitas vezes são limitados pelos padrinhos poderosos.

Abaixo, com menos significância política, temos os partidos mais enfermos: os radicais. PSOL, PSTU, PCB, PCO e etc… vivem com a mente em um mundo onde é necessário manter a coerência e a ideologia intacta ao invés de galgar posições no parlamento e trazer resultados eficazes para o proletariado. Neste grupo encontram-se também os anarquistas, gente contra “tudo o que está aí”.

Por fim, os bolcheviques. Lenin definiu, em livro de mesmo nome que este artigo, que o partido bolchevique era um partido capaz de fazer de tudo para alcançar a revolução do proletariado. “Fazer de tudo” consiste até em se aliar com a burguesia e/ou jogar sujo para atingir o objetivo maior (onde o fim justificaria os meios). O PT, na minha teoria maluca, seria este partido. Aquele que se alia ao PMDB, que se esforça para jogar junto com a grande mídia e que ainda assim retira dezenas de milhões da miséria, constrói universidades, cria políticas para moradia própria e muitas outras coisas (confira na propaganda eleitoral).

O que proponho aqui é a unificação da esquerda rumo ao socialismo. Separados somos fracos, juntos somos fortes. Já pensou se PSDB, PT, PSB e os demais de esquerda e centro esquerda se aliassem para chutar a bunda do PMDB, PP, PR, DEM, PSC e etc…?

É bonito vestir camisas Che Guevara, bravejar palavras de ordem em comícios/passeatas e participar de debates presidenciais como se estivesse concorrendo à eleições do DCE de uma universidade federal. Entretanto, o quão efetivo isso tudo é para o proletariado? Nós conhecemos Marx, o povo conhece a fome.

Acordei… mijado.

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