Semana passada(segunda quinzena de janeiro) eu assisti “The Wolf of Wall Street”, mas assisti despretensioso mesmo sendo aclamado aí. Eu arrisco dizer que seja o filme do ano.
O filme de Martin Scorcese surpreende, não só pela atuação fantástica de Leonardo Dicaprio, mas pelo roteiro incrível e por atingir um objetivo crucial: mostrar a escada do sucesso, não da maneira convencional em que a pessoa começa por baixo, sobe, vira milionária, e é feliz para sempre. O filme simplesmente derruba o conto de fadas da meritocracia.

A intenção aqui não é analisar o filme em quesitos cinematográficos, apesar de serem impecáveis(fotografia, roteiro, etc). O filme é baseado na história real de Jordan Belfert, um corretor de ações, que foi de um funcionário normal a um grande empresário deixando todos os concorrentes no chinelo.
O ponto central no filme é que ele vai além dos limites do mercado(e até morais) para atingir seus objetivos, é todo recheado de “sexo, drogas e rock ‘n roll”, portanto, não é o filme ideal se você for um conservador. O filme é pra quem gosta, quer e precisa pensar diferente. Um detalhe importante é que a história se passa nos anos 90, as coisas não mudaram muito de lá para cá. As ferramentas são outras, mas as mesmas habilidades ainda são necessárias e por isso o filme encaixa perfeitamente no contexto atual.
Se é dos anos 90, o que tem a ver com essa era digital que estamos vivendo?
O Lobo de Wall Street tem tudo a ver com os tempos atuais pois tem algo em comum: adaptar para vencer.
Vivemos no mundo em que metodologias não servem para todos os casos, as coisas mudam a cada dia, cada mês, cada ano. A rede social de hoje, pode morrer amanhã se não acompanhar as mudanças do mercado. Você profissional que sabe tudo de Social Media, pode amanhã ser obsoleto no mercado por que não soube se adaptar.
Jordan começa sendo apenas mais um corretor de ações em mais uma empresa de ações. Até aí nada que encha os olhos, mas Belford começa a aprender o caminho das pedras e chega num dos pontos altos do filme, e arriscaria dizer , um dos melhores diálogos também, confira o vídeo:
No vídeo, além de dar dicas sobre martini e como se manter relaxado, o chefe toca num ponto importantíssimo: os clientes compram seu produto(qualquer seja) pelo valor que percebem nele. Jordan usa esse princípio em todo o filme e por isso se torna tão bem sucedido.
É a partir daí que a história começa a se desenrolar e chegamos no tópico que dá o nome deste artigo. Nenhum empresa bem sucedida que existe hoje começou grande, com muitos funcionários, com altos custos. Elas começaram com grandes sonhos, mas com o pé no chão e uma equipe de responsabilidade.
Quando uma grande empresa quebra e ele perde seu emprego, decide ir atrás de alternativas e encontra uma pequena corretora que vende para pequenos clientes, a diferença: eles cobram uma comissão de 50%, e não os 10% da anterior. Isso o faz ficar impressionado. Até que em um determinado momento descobre como ter uma abordagem de vendas matadora, e consegue vender mais por preços maiores.
Em um certo dia, um gordinho curioso, chega para ele e pergunta sobre seu carro, o que faz e o quanto ele ganha. Impressoinado com as respostas, Donnie Azoff se demite para trabalhar com Jordan. Logo após ele reúne uma equipe, não cheia de intelectuais, mas uma equipe que está pronta para fazer a diferença.
Eles montam a empresa numa oficina desativada, e começam a operar dali mesmo. Isso é começar pequeno, é o primeiro passo. Começar com poucos custos, errando rápido, consertando rápido!
Na cena do restaurante, Jordan desafia Brad: “Me venda esta caneta!”, sem rodeios, Brad diz: “Escreva seu nome”, Belfort: “Eu não posso, eu não tenho uma caneta”, “Exatamente, é a lei da oferta e da demanda”. Perceba que Brad não quis falar sobre a caneta. Vender o seu produto não se trata de falar o quanto ele é bom, o que ele faz, o quanto ele vai impressionar o seu cunhado chato no churrasco do fim de semana. Vender se trata de atender a demanda. Essa é um dos diálogos mais esclarecedores sobre negócios que já foi produzido. Guarde ele.
Os negócios são fechados, e eles crescem rápido. Cada vez mais e mais. Vão para um escritório luxuoso, aparece na capa da Forbes. Jordan se torna um grande empresário.
O clima da empresa é surreal, tudo que acontece dentro do escritório faz os funcionários trabalharem com sangue nos olhos, por que veem o resultado direto que aquilo vai gerar.
Mais impressionante que o clima da empresa, é o discurso de Jordan, ele com seus discursos motivadores coloca qualquer pessoa pra cima, onde você vira um torcedor louco numa partida de futebol, comemorando cada palavra dita.
Por esse motivo O lobo de Wall Street é tão esclarecedor, ele mostra que o que a sua empresa tem a dizer para os seus funcionários e para seus clientes é maior que qualquer estratégia de marketing furada, maior que produto mais ou menos que a concorrência tenha criado. É esse ponto que fará um negócio crescer rápido. O modo como você se comunica decide quem ganha e quem perde nos negócios.
Quando ele diz: “Eu já fui pobre e rico, mas eu escolhi ser rico.”, quer dizer que ele não está ali para ser mais um que tentou e subiu. Ele está ali para ser o primeiro e nada menos que isso interessa.
No último grande discurso do filme, ele fala sobre sua possível saída da empresa e conta toda a história, sua trajetória, as pessoas que ele ajudou e seus tropeços.
O lobo de Wall Street é fantástico por isso, te ensina várias lições e mostra os lados bons e ruins do mundo do dinheiro. Toda a ganância e os excessos que as pessoas bem sucedidas estão sujeitas. Mas ensina uma coisa ainda mais importante: criar um negócio de sucesso é preciso que você tenha a humildade de se adaptar, começar pequeno e pensar grande.
E o que tudo isso tem a ver com o digital? Tudo isso aconteceu nos anos 90, e está acontecendo agora, em uma velocidade 10x maior, enquanto você lê esse texto. Enquanto você está aí sentado na frente do computador, seu concorrente está desenvolvendo um novo produto, está nascendo uma nova startup no Nordeste. Alguém fechou um grande contrato no Rio de Janeiro. Um novo aporte em São Paulo. E você, o que fez? Conta nos comentários!
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