Faz tempo que eu tenho como plano (pra vida) esquecer o meu aniversário, ao menos uma vez. Me soava como uma ideia de sucesso, minha ideia de sucesso (e olha que nunca fui boa em traçar planos sólidos, mas esse parecia muito bom). O contexto seria de um deslumbre com a vida tão intenso, que me perderia de mim mesma.

Essas coisas não pareciam muito importantes, pra começar eu nunca entendi muito bem o que é ser um indivíduo, um ser particular. Não consigo identificar a mim mesma. Eu não sei se é de tando que tentei me projetar dentro dessa insanidade que é a vida ou de tanto que tentei me perder, de mim. Cada vez mais percebo o quanto estou me saindo bem na segunda.

Quanto mais tento entender quem eu sou, mais perdida me sinto. E olha que eu sempre fui uma grande entusiasta do “autoconhecimento”. Hoje estava vendo umas fotos, e pra ser sincera, nem me reconheço. É como se estivesse olhando para a foto de uma amiga: eu sei um pouco sobre essa pessoa e ela parece legal. O que me faz ficar curiosa sobre como as pessoas me veem, afinal, talvez isso seja tudo que temos - a ideia que os outros tem de nós.

Isso parou de parecer uma experiência incrível de transcendência para algo desconhecido e assustador. E esse parece ser o ponto em que me aproximo mais da minha subjetividade. Medo.

Se posso arriscar uma interpretação, vejo todos construindo suas personalidades e fazendo suas escolhas, tendo como base seus próprios medos. E o meu, no momento, é de me perder. Eu nunca soube muito bem quem sou e tentava descobrir através das experiências. Agora é muito mais sobre como me sinto, do que como ajo. Os momentos que experiencio parecem ser apenas o que faço com esse “eu” que ainda não encontrei, mas continuo procurando.

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